O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) abriu ação civil contra o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP) por ter cedido seu auditório para um ato de solidariedade à resistência palestina, realizado em 7 de outubro de 2025, data do segundo aniversário da heroica Operação Dilúvio de Al-Aqsa. O processo, instaurado a pedido do deputado estadual Danilo Cesar Campetti (Republicanos), ex-assessor de Tarcísio de Freitas e ex-agente da criminosa Operação Lava Jato, pede indenização de R$120 mil ao sindicato, acusando o ato, organizado pelo Partido da Causa Operária (PCO), de ter promovido “conteúdo antissemita” e “exaltação ao terrorismo”.
Como o DCO já denunciou em reportagem detalhada, a manifestação teve conteúdo estritamente político e antissionista. O processo do MP-SP não apresenta uma única declaração concreta que comprove as acusações. Trata-se de uma tentativa de pôr na ilegalidade qualquer defesa do povo palestino e de intimidar sindicatos e organizações que abrem seus espaços para denunciar o genocídio praticado pelo governo de “Israel” em Gaza.
O Comitê Regional Unificado do ABC em Defesa da Palestina e o Comitê de Defesa da Palestina de Rio Grande da Serra divulgaram nota de solidariedade à APEOESP, repudiando a ação judicial e defendendo os espaços de denúncia e debate sobre as atrocidades cometidas contra o povo palestino.
Leia, abaixo, a nota na íntegra:
Nota de solidariedade à APEOESP
O Ministério Público de São Paulo entrou com uma ação civil contra o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP) por uma reunião realizada em sua sede na Praça da República no dia 7 de outubro de 2025. A ação foi instaurada por denúncia de um deputado estadual do Republicanos. Segundo tal deputado houve manifestação de conteúdo antissemita de exaltação do ataque do grupo Hamas em 7 de outubro de 2023. Na ação, o MPSP pede indenização de Rs120 mil por danos morais e coletivos. O referido evento foi organizado pelo Partido da Causa Operária (PCO) com a participação de outros partidos e entidades da sociedade civil. Esse e outros processos também movidos contra entidades e pessoas que defendem a causa Palestina visam intimidar segmentos humanitários para que o conjunto da sociedade brasileira não tome conhecimento das atrocidades e barbáries praticadas pelo governo de Israel contra a população Palestina, em especial na faixa de Gaza. Defendemos espaços como esse que foi cedido pela APEOESP para denunciar o genocídio praticado por Israel que já matou milhares de civis palestinos, em especial mulheres e crianças o que também caracteriza limpeza étnica visando ocupação do território e de suas riquezas. Lembramos que nesses eventos em favor dos palestinos também participam entidades judaicas contrárias a violência do Estado de Israel. Essas ações judiciais têm o objetivo de criminalizar e intimidar os defensores de um Estado Palestino soberano. Como qualquer outra nação, deve ter seus poderes institucionais como Executivo, Legislativo, Judiciário e forças de Defesa. O evento em questão realizado na APEOESP teve o intuito de divulgar a situação trágica que vive o heroico povo palestino. Assim como se deve respeitar o sofrimento terrível por que passam os palestinos também lembramos que todos os povos do mundo inteiro respeitam e sempre se solidarizaram com a população judaica que passou pelo genocídio praticado pelos nazistas na Segunda Guerra. Portanto defendemos aqui espaços de defesa dos povos oprimidos e terminamos aqui com o depoimento comovente de uma criança palestina depois de um ataque de Israel contra a população civil.
“Mamãe, como posso agora abraçar você se já não tenho minhas pernas nem meus braços?”
Defendemos, assim, espaços para denúncias de atrocidades como essa que são indefensáveis do ponto de vista civilizatório.
Comitê Regional Unificado do ABC em Defesa da Palestina
Comitê de Defesa da Palestina de Rio Grande da Serra




