O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, anunciou neste domingo que, “em conformidade com a Constituição”, foi formado um conselho de liderança para assumir as responsabilidades do líder iraniano até que seja escolhido um sucessor. Segundo ele, os mecanismos constitucionais “seguem sem interrupção” após o assassinato do aiatolá Saied Ali Khamenei na madrugada de sábado (28), durante a agressão conjunta dos Estados Unidos e de “Israel” contra o Irã.
Larijani citou o artigo 111 da Constituição iraniana, que determina que, em caso de morte, renúncia ou destituição do líder, a Assembleia de Especialistas deve tomar “as medidas necessárias o mais rapidamente possível” para indicar um novo ocupante do posto. Até essa definição, a norma prevê a constituição de um conselho temporário que passa a exercer todas as atribuições do cargo.
De acordo com a regra constitucional descrita por Larijani, o conselho provisório é composto pelo presidente da República, pelo chefe do Poder Judiciário e por um jurista do Conselho dos Guardiões eleito pelo Conselho de Discernimento da Conveniência. O dispositivo também estabelece que, se algum integrante não puder cumprir suas funções durante o período interino, um substituto deve ser escolhido por maioria de votos entre os juristas do conselho, garantindo continuidade do exercício dos poderes previstos.
‘Assassinatos não desestabilizam o Irã’, diz Larijani
Em sua declaração, Larijani afirmou que “o inimigo está iludido se acredita que assassinar líderes pode desestabilizar o Irã”, e disse que o povo iraniano voltou a demonstrar “lealdade” à sua direção política e compromisso com o caminho nacional. Ele reconheceu que havia preocupações anteriores com a segurança de Khamenei e declarou que “o inimigo sabe muito bem” o lugar que ele ocupava “no coração do povo iraniano”.
Larijani acrescentou que Khamenei teria insistido em manter a rotina normal e rejeitado medidas excepcionais de segurança. O secretário descreveu o momento como uma “virada histórica” e afirmou que o país enfrentará a situação com unidade e resiliência. No mesmo pronunciamento, denunciou os Estados Unidos por promoverem políticas coloniais voltadas a explorar os recursos do Irã e por atuarem em favor da “entidade” sionista com o objetivo de fragmentar o país.
Segundo Larijani, o “grave erro” de assassinar o líder iraniano “não ficará sem resposta”. Ele declarou que as Forças Armadas iranianas estão preparadas para enfrentar qualquer tentativa de divisão do país e para frustrar os planos do adversário. “As Forças Armadas estão realizando um trabalho tremendo no enfrentamento do plano de fragmentar o Irã, e todos devem se unir em torno delas”, afirmou.
Ataques a bases norte-americanas e à entidade sionista
Larijani também declarou que mísseis iranianos foram lançados “ontem” contra bases norte-americanas e contra a “entidade” sionista e que os impactos “foram dolorosos”. Em seguida, advertiu que “hoje serão mais dolorosos”, sinalizando escalada na retaliação.
Ele disse ainda que bases norte-americanas instaladas em países da região “não são terra desses países, mas território norte-americano”, tratando-as como alvos no confronto. Ao mesmo tempo, afirmou que autoridades iranianas se comunicaram diretamente com dirigentes regionais para sustentar que o Irã não busca guerra com países vizinhos e que não pretende atacar os próprios países da região.
Parlamento: ‘consideramos todos os cenários’
O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou em vídeo transmitido pela TV estatal iraniana que o país se preparou para “todos os cenários”, incluindo a próxima etapa de liderança e governança após o assassinato de Khamenei. “Nós nos preparamos para esses momentos e consideramos todos os cenários”, disse.
No mesmo pronunciamento, Ghalibaf declarou que o presidente norte-americano Donald Trump e o primeiro-ministro sionista Benjamin Netaniahu “cruzaram nossas linhas vermelhas” e “sofrerão as consequências”.
Judiciário: ‘confronto aberto com os inimigos’
O chefe do Poder Judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejei, declarou que “os Estados Unidos e Israel não conseguirão extrair qualquer concessão do povo iraniano pelo sangue de seu líder”. Ele afirmou que o país permanece firme diante de pressão e agressões e que, assim como no passado, os iranianos “não se submeterão”.
Ejei classificou o assassinato de Khamenei como uma perda profunda e uma tragédia dolorosa para o país, mas afirmou que a luta continua. Segundo ele, o Irã entrou agora em uma fase de “confronto aberto” com seus inimigos, o que exigiria unidade e firmeza.
Com a formação do conselho temporário prevista no artigo 111, a escolha do novo líder passa a depender das deliberações da Assembleia de Especialistas, que, conforme a Constituição citada por Larijani, deve agir com rapidez para indicar o sucessor.



