O Partido da Causa Operária (PCO) realizou neste sábado (5), em Belo Horizonte, um dia de atividades políticas que terminou com o lançamento de suas candidaturas em Minas Gerais para as eleições de 2026. A programação, realizada no CENARAB, no bairro Calafate, começou ao meio-dia com um almoço, seguiu às 14h com a Análise Política da Semana e teve, às 17h, o ato de apresentação da chapa mineira.
A atividade contou com a presença de Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO e candidato à Presidência da República, que apresentou excepcionalmente de Belo Horizonte o principal programa da Causa Operária TV (COTV). A crise no Supremo Tribunal Federal (STF), agravada pelas revelações envolvendo Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, ocupou a parte central da análise.
Pimenta afirmou que a situação de Moraes tornou-se insustentável e relacionou o escândalo atual à atuação do ministro nos últimos anos, particularmente no Inquérito das “Fake News”. O dirigente lembrou que o próprio PCO teve suas redes sociais suspensas durante meses por determinação de Moraes e classificou o caso atual como expressão de uma crise mais ampla das instituições políticas brasileiras.
Antes de entrar na crise do STF, Pimenta abordou outros casos ligados à liberdade de expressão e à atuação dos órgãos de repressão. Denunciou o processo movido contra o Diário Causa Operária pela ministra Sônia Guajajara, criticou a agressão contra um estudante acusado de utilizar símbolos nazistas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e denunciou a participação do Ministério Público brasileiro em iniciativas internacionais dirigidas contra o Irã.
O presidente do PCO também voltou a tratar da operação realizada pela Polícia Federal contra o Partido em agosto. Durante a análise, relacionou a ofensiva contra o PCO às posições da organização em defesa da Palestina e contra o imperialismo e denunciou a crescente utilização da PF, do Ministério Público e do Judiciário na perseguição política.
Lançamento das candidaturas
Após a Análise Política da Semana, o ato das 17h apresentou oficialmente a chapa do PCO em Minas Gerais. Henrique Áreas é o candidato ao governo do estado, tendo Estevão Gomes como candidato a vice. Sebastião Pessoa disputa o Senado, com Dalila Gomes e Fernando Lirio como suplentes. Para a Câmara dos Deputados, o Partido apresenta Agnaldo Timoteo e Lourdes Francisco; Marilia Garcia e Tulio Oliveira disputam vagas na Assembleia Legislativa.
Em sua intervenção, Henrique Áreas concentrou-se na organização da campanha nas ruas. O candidato ao governo chamou militantes e simpatizantes a distribuírem panfletos, venderem a Gazeta Causa Operária, participarem das campanhas financeiras e ajudarem a formar comitês eleitorais. Também convidou os presentes que ainda não são filiados a ingressarem no Partido.
“Para o PCO — todo mundo que está aqui sabe —, a eleição não se resume a esse mês e meio: na verdade, a gente está em campanha o tempo todo. A gente está em campanha todos os dias na rua, distribuindo material, fazendo campanha financeira”, afirmou.
Áreas destacou que o objetivo da participação eleitoral não se limita ao período oficial de campanha. Segundo ele, o PCO utiliza as eleições para alcançar novos setores da população e ampliar sua organização, apesar da falta de recursos, da exclusão de espaços da grande imprensa e da ofensiva da Polícia Federal.
Sebastião Pessoa dedicou sua fala principalmente à situação econômica dos trabalhadores. O candidato ao Senado afirmou que os preços aumentam continuamente sem que os salários acompanhem e chamou atenção para as desigualdades existentes dentro de Minas Gerais. Como exemplo, citou Minas Novas, onde viveu durante três anos, e a saída de jovens do interior em busca de emprego em Belo Horizonte, na região metropolitana e em São Paulo.
“Uma pessoa em idade adulta é obrigada a trabalhar o dia inteiro ganhando meio salário mínimo, sem carteira assinada, sem nenhum tipo de cobertura do governo. E quem as contrata ainda acha que está fazendo um favor a elas. Isso é uma coisa que precisa ter fim no país: a exploração das pessoas”, disse.
Pessoa afirmou ainda que sua candidatura não tem como centro o simples pedido de votos. Para ele, diante das limitações impostas ao PCO no sistema eleitoral, a campanha deve servir para organizar a população e ampliar o trabalho político “pela base”.
Lourdes Francisco, candidata a deputada federal, voltou ao tema da perseguição política contra o Partido. Ela agradeceu aos apoiadores que contribuem com a campanha financeira e destacou as dificuldades enfrentadas pelo PCO para obter os recursos necessários às suas atividades.
A candidata também denunciou diretamente a operação da PF contra Rui Costa Pimenta. “Essa PF que foi à casa do Rui tentando nos intimidar porque a gente defende a Palestina, defende o Irã e defende principalmente o povo brasileiro não vai conseguir nos intimidar e muito menos nos calar. Ninguém vai abaixar a nossa bandeira nem calar a nossa voz”, afirmou.
O lançamento encerrou a programação política do PCO neste sábado em Belo Horizonte. Para a manhã deste domingo (6), militantes do Partido convocaram uma nova atividade na Feira Hippie, com distribuição de panfletos, venda de publicações e organização dos comitês eleitorais.









