A cada dia que passa, menos jornalistas, espertamente, continuam a defender o Supremo Tribunal Federal (STF), pois já sentem o cheiro podre se espalhando. Ainda assim, um ou dois insistem, como Eduardo Guimarães, que publicou nesta quinta-feira (19) no Brasil 247 o artigo Chefe da PF critica “fofoca sobre contrato”. Fica difícil de saber se o jornalista defende o tribunal, ou está tentando salvar a própria credibilidade que anda meio abalada — basta ver os comentários dos leitores a seus artigos.
O jornalista bate na tecla de um contrato multimilionário entre o escritório de Viviane Barci de Moraes e o Banco Master, amplamente noticiado, nunca negado, mas que, segundo ele, nunca existiu.
Para sustentar sua tese, Guimarães escreve que:
“Em evento ocorrido nas últimas 24 horas da data de publicação [de seu] artigo, realizado na sede da Federação Brasileira de Bancos, o diretor-geral da Polícia Federal [PF], Andrei Rodrigues, criticou duramente o que chamou de ‘fofoca sobre contrato’ e ‘ataques covardes’ em meio às investigações do caso Banco Master”.
Ele diz ainda que “tais declarações ecoam como defesa institucional da corporação e resposta indireta aos questionamentos envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes”. Sobre este ponto, nota-se que existe uma crise entre as instituições, uma vez que a burguesia, que até ontem deu apoio total ao Tribunal, joga contra ele a PF. A maioria da esquerda que apoia o Supremo não sabe para que lado correr, pois tanto apoia uma instituição quanto outra.
No que diz respeito à “fofoca sobre contrato”, que nunca foi negado, é preciso lembrar ao nobre jornalista que o escritório da esposa do ilibado ministro do STF recebeu R$ 80,2 milhões do Banco Master. Nesta altura do campeonato, que diferença faz se o acordo foi verbal, um aperto de mão, ou um piscar de olhos? Uma quantia multimilionária foi paga, ao que jornalista poderia rebater: “não é ilegal”. E o Brasil inteiro perguntaria: “E daí?”.
Caso o contrato apareça, o que já não faz diferença, é capaz que o jornalista negue sua validade porque o dito cujo precisaria estar em três vias e com firma reconhecida em cartório, ou coisa que o valha.
Segue o jogo
Segundo o artigo, “Rodrigues afirmou que a PF ‘não será intimidada’ e seguirá investigando as fraudes bilionárias do Banco Master ‘até o fim’. Classificou como inaceitáveis as tentativas de desviar o foco da apuração principal — estimada em dezenas de bilhões de reais”. – grifo nosso.
Existe aí uma tentativa de preservar o STF. Vamos focar nos bilhões, esqueçam os milhões.
Guimarães diz que “O alvo das críticas de Rodrigues refere-se, entre outros, ao contrato citado em 9 de dezembro de 2025 pelo jornal O Globo, que, segundo a jornalista Malu Gaspar, previa pagamentos totais de cerca de R$ 129 milhões ao longo de três anos, para serviços de consultoria jurídica e representação em órgãos como Banco Central, Receita Federal e Congresso Nacional”.
Embora não seja advogado dos Moraes, o jornalista corre para explicar que “o escritório Barci de Moraes Associados, comandado pela esposa do ministro, esclareceu em nota quais serviços prestou ao Banco Master no âmbito de um consórcio com mais três escritórios, e que a operação foi suspensa após a liquidação da instituição pelo BC, em novembro de 2025”. E, como já informamos acima, esses serviços foram provavelmente os mais caros da história da advocacia mundial.
Não menos importante, é a informação de que “a Procuradoria-Geral da República, por sua vez, arquivou, ainda em dezembro de 2025, pedido de investigação contra Moraes e sua esposa, concluindo pela ausência de indícios de ilicitude no acordo”. Como todos sabem, a PGR é completamente neutra, imparcial e acima de qualquer suspeita.
Apesar da bela “arquivada”, o jornalista, incrédulo, diz que “apesar disso, o tema gerou intensa repercussão na imprensa e nas redes, com questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse, pressões institucionais e vazamentos de mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro (dono do Master), mencionando contatos com autoridades”. Um verdadeiro absurdo.
Uma das táticas que Eduardo Guimarães tem utilizado, que demonstra que a coisa não anda bem, é sua insistente tentativa de desviar o olhar do leitor do problema pequeno para o problema grande. Por isso faz questão de dizer que “Rodrigues, ao classificar essas discussões como ‘fofoca sobre contrato’, enfatizou que tais narrativas servem para ‘intimidar’ e desviar a atenção das fraudes centrais investigadas na operação Compliance Zero, na casa dos (segundo ele) 80 bilhões de reais”.
O fato de haver um problema “grande”, não diminui a importância de um problema “pequeno”. Pois a suspeita é de que os dois sejam parte de um problema ainda maior.
Fala mais!
Segundo o artigo, “o diretor-geral da PF também mandou recados ao ministro André Mendonça, o Terrivelmente Evangélico”. o que só reforça a ideia de que a burguesia quer o mínimo de danos.
Para o jornalista, “Rodrigues falou menos do que deveria, mas falou. Pois, em fevereiro de 2026, ao assumir a relatoria do inquérito (substituindo Dias Toffoli), o ministro André Mendonça restringiu o acesso a informações sigilosas apenas a agentes diretamente envolvidos, limitando o compartilhamento com superiores hierárquicos”. Dias Toffoli foi sacado da relatoria, o ministro se declarou suspeito, um balde de água fria sobre seus fiéis defensores.
Finalizando, Guimarães “a fala de Andrei Rodrigues, citando ‘fofocas sobre contrato’, é afiada ao dizer que reduzimos a discussão sobre uma roubalheira de 80 bilhões de reais (facilitada pelo presidente do BC indicado por Bolsonaro) a um suposto contrato que ninguém jamais viu e muito menos sabe se ao menos existe”.
Verdade, para que falar de R$ 80 milhões quando tem uma quantia mil vezes maior em jogo?
No mais, fica a pergunta sobre o contrato fantasma: Como um escritório de advocacia prestaria serviços sem um contrato; casa de ferreiro espeto de pau?





