A colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, afirmou que o ministro Alexandre de Moraes atuou nos bastidores pela rejeição de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). A indicação do atual ministro da Advocacia-Geral da União (AGU) foi derrotada no Senado, na quarta-feira (29), por 42 votos contrários e 34 favoráveis.
A reportagem publicada pela colunista afirma que Moraes se somou à ofensiva organizada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e por Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência. A articulação teria reunido, no mesmo lado da votação, o relator do Inquérito das “Fake News” e setores bolsonaristas que costumam pedir sua cassação.
Segundo Malu Gaspar, a informação foi obtida com “seis fontes que acompanharam de perto a movimentação dos últimos dias”, entre integrantes do STF, do Congresso e do meio político e jurídico. A colunista afirmou que Moraes teria acionado emissários para pressionar senadores que tinham processos no Supremo ou ligações com aliados do ministro no Congresso.
A articulação teria como um de seus objetivos impedir que André Mendonça, ministro indicado por Jair Bolsonaro, ganhasse um aliado no plenário do STF. Mendonça foi um dos principais defensores de Messias durante os cinco meses de campanha pela aprovação de seu nome no Senado.
“Alcolumbre não faz nada sem o apoio do Moraes. Mas o Moraes e Flávio Dino [desafeto antigo de Messias] acham que cada luta é uma luta, que uma coisa [a derrota de Messias] não interfere na outra [o avanço dos pedidos de impeachment]”, disse à colunista um integrante do STF ouvido em caráter reservado.
A reportagem também afirma que Moraes não aceitou a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de indicar Messias em vez do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG). Pacheco era o nome defendido por Moraes e Alcolumbre para a vaga deixada no STF.
De acordo com a coluna, a atuação conjunta de Alcolumbre e Moraes, antes favorável à indicação de Pacheco, teria sido repetida agora contra Messias. A diferença é que, nessa votação, a derrota do indicado de Lula também favoreceu a ofensiva da extrema direita no Senado, em especial a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
A disputa interna no Supremo aparece, na reportagem, como um elemento decisivo. Mendonça é relator do caso Master no STF e caberá a ele homologar eventual delação premiada de Daniel Vorcaro. Segundo Malu Gaspar, essa delação pode trazer implicações para Moraes e sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, que firmou contrato com o Banco Master prevendo pagamento de R$3,6 milhões mensais durante três anos.
A colunista também lembrou que Mendonça já havia irritado Moraes ao votar pelo afastamento do ministro das investigações sobre a chamada trama golpista, aceitando argumento apresentado pela defesa de Bolsonaro. Na mesma votação, Mendonça votou contra Flávio Dino, aliado de Moraes no STF e apontado na reportagem como outro nome engajado contra Messias.
Mendonça, segundo a coluna, atuou pessoalmente junto a parlamentares conservadores para tentar diminuir a resistência contra Messias. Os dois são evangélicos: Messias é ligado à Igreja Batista, enquanto Mendonça é pastor da Igreja Presbiteriana.
Após a derrota no Senado, Mendonça publicou mensagem de solidariedade a Messias em sua conta no X. “Respeito a decisão do Senado, mas não posso deixar de externar minha opinião. O Brasil perde a oportunidade de ter um grande ministro do Supremo. Messias, saia dessa batalha de cabeça erguida. Você combateu o bom combate!”, escreveu.




