Cisjordânia

Colonos sionistas espancam jornalista e atacam agricultores na Cisjordânia

Heidi Levine, fotógrafa que trabalha para o Washington Post, foi hospitalizada após agressão durante a colheita de azeitonas perto de Ramala

Colonos israelenses atacaram agricultores palestinos durante a colheita de azeitonas em Abu Falah, a nordeste de Ramala, na Cisjordânia ocupada, nesta sexta-feira (16/10). A fotógrafa norte-americana Heidi Levine, que trabalha para o jornal Washington Post, foi espancada quando cobria a agressão e precisou de atendimento hospitalar. Testemunhas relataram que os invasores também incendiaram oliveiras.

Segundo a Al Jazeera, dezenas de colonos mascarados lançaram pedras e atacaram os palestinos com fundas. Um jornalista independente que presenciou a cena, Jasper Nathaniel, descreveu Levine caída no chão, cercada por homens que a golpeavam, roubavam e chutavam. A fotógrafa tem 64 anos e há décadas registra os efeitos da ocupação sobre os palestinos.

Um palestino foi atingido na coxa por disparo de soldados israelenses, segundo testemunha ouvida pela Al Jazeera e pela agência palestina Wafa. A tropa atuava na mesma região em que os colonos investiram contra os agricultores e espancaram a fotógrafa.

Também houve denúncias de incêndios e agressões a agricultores em comunidades próximas. Atacar a colheita de azeitonas atinge a renda das famílias e torna mais difícil sua permanência nas terras que os assentamentos querem tomar.

Os assentamentos israelenses avançam sobre a Cisjordânia sob a proteção das forças de ocupação. Grupos de colonos atacam lavouras e moradores, e a presença do Exército restringe a capacidade dos palestinos de defender seus campos. Nesta sexta, o espancamento de uma profissional de um grande jornal norte-americano tornou visível a violência à qual os agricultores estão sujeitos diariamente.

O ataque ocorreu após meses de crescimento dessas investidas. A Comissão de Resistência ao Muro e aos Assentamentos registrou 4.286 agressões de colonos nos primeiros sete meses de 2026, aumento de 63% em relação ao mesmo período do ano anterior, conforme levantamento divulgado pelo DCO em setembro. Somente em agosto, a comissão documentou a destruição de 21.508 árvores, das quais 19.375 eram oliveiras. Os incêndios desta sexta atingem justamente a cultura que já vinha sendo arrasada para expulsar famílias do campo.

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