Coerência é a harmonia entre pensar, dizer e agir com base em valores, enquanto coragem é a força para sustentar essa postura, mesmo sem plateia ou sob pressão. Viver com ambas significa ter a integridade de alinhar ações ao propósito, resultando em uma “coragem coerente” que transforma e dá sentido.
O compromisso da mídia com as pautas de utilidade pública precisará sempre do combustível da veracidade e, para tal empreitada, conta com a dobradinha COERÊNCIA/CORAGEM. Em tempos de escândalos tão insalubres, como os do INSS e do Banco Master, os vazamentos para a imprensa — que versam sobre canais midiáticos cooptados para pautar seletivamente certos assuntos — demonstram que a honradez é um atributo dos éticos.
A Odisseia, épico grego narrado por Homero, conta a saga de Odisseu (Ulisses) durante dez anos de perigos em sua jornada. Os obstáculos fazem parte da vitória.
Graco Babeuf revolucionou a imprensa ao fundar a Conspiração dos Iguais, um movimento igualitário (precursor do anarquismo e do comunismo) ocorrido durante a Revolução Francesa. O movimento propunha a “comunidade dos bens e do trabalho”, cuja atenção era voltada a alcançar a igualdade efetiva entre os homens.
Nesta linha progressista e igualitária, nasceram alguns canais com o sentido democrático de fazer jornalismo. A notícia, nestes veículos, não está pendurada como mercadoria em um armazém de secos e molhados. O jornalismo se faz de oposição na medida da verdade e da autenticidade dos fatos. Millôr Fernandes sabia disso.
O DCO vem mantendo sua integridade coerente e corajosa, focada em temas contundentes como o identitarismo, por exemplo. Como colunista da casa, sinto-me à vontade nesta ambiência tonificada.
Lamento que em outros veículos progressistas de esquerda, onde abordei temáticas sociais tão importantes, meu último artigo enviado não tenha sido publicado ao tocar no quesito “identitarismo”. Mas concordo com Zygmunt Bauman quando ele refletiu: “A desigualdade não é um erro do sistema; é o sistema funcionando perfeitamente”.
Bauman nos diz que a desigualdade não aparece por acidente, falha ou descuido. Pelo contrário: ela é produzida pelo próprio modo como o sistema foi construído. O sistema — capitalista, globalizado, líquido — depende da desigualdade para funcionar. Ou seja, há mecanismos que geram e mantêm privilégios para alguns e restrições para muitos, de forma contínua e organizada.



