O Ministério do Comércio chinês ampliou controles de exportação contra entidades japonesas na segunda-feira (29), por causa da expansão militar do Japão. A medida incluiu 20 instituições e empresas ligadas ao setor bélico em uma lista de controle e impede o fornecimento de materiais, produtos e tecnologias chinesas com aplicação civil e militar. O governo chinês apresentou a decisão como resposta legal à remilitarização japonesa e ao alinhamento crescente do Japão com os EUA.
A lista inclui o Instituto Nacional de Estudos de Defesa do Japão, centros de pesquisa de sistemas terrestres, navais e aéreos e contratadas ligadas à Mitsubishi. A partir da designação, exportadores chineses ficam proibidos de fornecer bens de uso civil e militar a essas entidades. Empresas e pessoas fora da China também não podem transferir itens de origem chinesa para os órgãos listados, e transações em curso devem ser interrompidas imediatamente.
Entre os itens estão terras raras usadas em ímãs de alto desempenho, veículos elétricos, eletrônicos e sistemas de defesa. O governo chinês afirmou que a medida busca impedir que materiais de origem chinesa fortaleçam a capacidade militar japonesa.
O Ministério do Comércio declarou que os controles são justificados, razoáveis e legais. A pasta afirmou que entidades japonesas que atuam de boa-fé e cumprem a lei não têm motivo de preocupação. A restrição, portanto, é direcionada a instituições vinculadas ao rearmamento do Japão e a suspeitas de mudanças em sua política militar.
A preocupação chinesa se intensificou depois que a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, disse ao Parlamento, em novembro, que o Japão poderia intervir militarmente em uma emergência envolvendo Taiuã. Os chineses informam que a ilha é parte de seu território e veem qualquer ameaça de participação militar japonesa como linha vermelha, sobretudo pelo histórico de agressão imperialista japonesa na Ásia.
O Japão também passou a instalar mísseis de maior alcance e projéteis planadores de alta velocidade em bases militares. Outro marco foi o disparo de mísseis superfície-navio a partir das Filipinas durante exercícios conjuntos com os EUA, movimento visto pela China como superação de limites impostos ao Japão no período posterior à Segunda Guerra Mundial.
Além da lista de controle, a China colocou outras 20 entidades japonesas em uma lista de observação, exigindo verificação mais rigorosa do usuário final e do uso final dos produtos. Entre elas estão Mitsui E&S, Mitsui Bussan Aerospace e Terra Drone. Exportadores que quiserem vender a essas entidades terão de apresentar avaliações de risco e garantias por escrito de que os itens não serão usados para reforçar a capacidade bélica japonesa.
O Japão rejeitou a decisão e apresentou protesto formal. O secretário-chefe de gabinete, Minoru Kihara, disse que o governo japonês não aceita as medidas e pediu sua retirada. No entanto, não foram apresentadas garantias de que o Japão não atacará a China, mantendo-se a postura agressiva que motivou as sanções.


