Bangladesh e China assinaram treze memorandos de entendimento em Pequim, na quinta-feira (25), durante a visita de Estado do primeiro-ministro Tarique Rahman. Os textos foram firmados após conversas com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, e ampliam a cooperação em comércio, investimentos, infraestrutura e outros setores.
A fabricante chinesa de têxteis, tecidos e vestuário Handa Industries aceitou investir 220 milhões de dólares em uma nova fábrica na Zona Econômica de Keraniganj, em Bangladesh.
Entre os entendimentos assinados também está um pacto sobre a Zona Econômica China-Bangladesh do Porto de Mongla. O objetivo é facilitar o desenvolvimento da área industrial próxima ao porto, em Bagerhat, ponto ligado à infraestrutura produtiva e ao escoamento de mercadorias.
As conversas bilaterais trataram de comércio, investimentos, infraestrutura e outras áreas. Antes da visita, circulavam informações sobre a possível compra de 24 caças chineses J-10CE, mas nenhum anúncio militar foi feito.
A China é o maior parceiro comercial geral de Bangladesh, com peso dominante nas importações de máquinas industriais, eletrônicos e matérias-primas têxteis. A Índia aparece como o segundo maior parceiro comercial geral, enquanto os EUA são o principal destino individual das exportações bangladeshianas. No ano fiscal de 2025, Bangladesh importou 18,56 bilhões de dólares em bens chineses e exportou 694,49 milhões para a China.
O peso da relação com a China ganha importância adicional diante do acordo comercial assinado com os EUA pelo governo interino liderado pelo Nobel da Paz Muhammad Yunus, quatro dias antes das eleições nacionais de fevereiro. O pacto prevê mecanismos que permitem a rescisão e a imposição de tarifas recíprocas se Bangladesh firmar acordo comercial com um “país de economia não mercantil”, expressão usada pelo governo norte-americano para China e Rússia.
Esse arranjo também exige alinhamento automático de Bangladesh às sanções e guerras comerciais dos EUA, reduzindo a margem de neutralidade em disputas entre grandes potências. Nesse contexto, os treze memorandos reforçam a tentativa de Dhaka de ampliar a cooperação com a China, mesmo sob pressão das cláusulas aceitas com os EUA.



