Uma escola primária de meninas na cidade de Minab, na província de Hormozgan (sul do Irã), foi bombardeada na manhã deste sábado (28) por “Israel”, em coordenação com os Estados Unidos. Segundo balanço divulgado por órgãos oficiais iranianos, 115 crianças foram assassinadas na unidade escolar até o fechamento desta edição.
A agência Mizan, vinculada ao Judiciário iraniano, informou inicialmente 108 assassinados no ataque à Escola Primária de Meninas Shajareh Tayyebeh, enquanto equipes de resgate seguiam retirando escombros e procurando sobreviventes. A agência estatal IRNA noticiou 63 feridos no mesmo local no sábado. Em outra atualização, autoridades locais relataram dezenas de estudantes feridas, com números que chegaram a cerca de 90.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, divulgou uma foto da escola destruída e afirmou que crianças foram atingidas “em plena luz do dia”, quando o prédio estava cheio de alunas. “Esses crimes contra o povo iraniano não ficarão sem resposta”, escreveu, em publicação na rede X.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, classificou o bombardeio como “crime flagrante” e cobrou providências do Conselho de Segurança da ONU. Em nota, o Ministério afirmou que os ataques violam o artigo 2(4) da Carta das Nações Unidas, que proíbe o uso da força contra a integridade territorial e a independência política de um Estado.
Outros ataques contra escolas e locais civis
Autoridades iranianas também registraram novos bombardeios contra instalações civis. A agência Mehr informou que outra escola, a leste da capital iraniana, foi atingida e ao menos dois estudantes foram assassinados. Na cidade de Abiek, um ataque contra uma escola matou um estudante.
No distrito de Narmak, na capital, dois estudantes ficaram feridos quando voltavam para casa após as aulas; autoridades informaram que o estado de saúde dos dois era estável.
Na província de Fars (sul do país), um ginásio esportivo na cidade de Lamerd foi atacado, e 20 jogadores de vôlei foram assassinados.
O Crescente Vermelho Iraniano informou que, desde o início da agressão imperialista conjunta na manhã de sábado, o total ultrapassou 200 assassinados e 747 feridos em diferentes províncias do país.
‘Israel’ e EUA anunciam ofensiva; Irã responde
O governo de “Israel” anunciou que iniciou uma operação que descreveu como “preventiva”, afirmando ter como alvo estruturas militares e nucleares iranianas. O presidente norte-americano Donald Trump declarou em seguida que os EUA se somavam à operação, vinculando a escalada ao fracasso da negociação sobre o programa nuclear.
O Irã denunciou que a ofensiva atingiu a população e instalações civis e invocou o artigo 51 da Carta da ONU, reafirmando o direito de autodefesa. O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã informou que as Forças Armadas iniciaram resposta retaliatória e que comunicaria atualizações oficiais de forma contínua.
A agência Tasnim noticiou que alvos militares dos EUA na Ásia Ocidental foram atingidos na retaliação, e uma fonte militar citada pela agência afirmou que 14 bases norte-americanas na região já haviam sido atacadas. Entre instalações mencionadas em informes divulgados no sábado, aparecem estruturas no Barém, no Iraque, no Catar, no Cuaite, nos Emirados Árabes Unidos, na Jordânia e na Arábia Saudita.
Medidas internas
Diante da expectativa de novos ataques, o Conselho Supremo de Segurança Nacional orientou a população a manter a calma, evitar deslocamentos desnecessários e adotar precauções. O governo informou que escolas e universidades permaneceriam fechadas “até nova ordem”, que bancos continuariam funcionando e que repartições públicas operariam com 50% da capacidade.
Até o momento, não houve nota específica dos governos dos EUA e de “Israel” sobre o massacre na escola, embora ambos tenham anunciado a ofensiva militar iniciada na manhã de sábado.









