A Confederação Geral do Trabalho (CGT) convocou trabalhadores dos setores público e privado para uma jornada nacional de greves e manifestações em 5 de novembro, contra os ataques previstos nos projetos de orçamento do Estado e da Seguridade Social para 2027. O chamado ocorre em meio à rebelião de secundaristas e universitários, que se espalha pela França desde o fim de setembro e enfrenta uma violenta repressão do governo de Emmanuel Macron, que se revela uma ditadura.
A central conclama assalariados, aposentados e jovens a participarem juntos da mobilização. No comunicado, denuncia que o governo pretende impor novos sacrifícios à população, enquanto mantém os benefícios destinados às grandes empresas e aos capitalistas. A convocação sindical se soma aos apelos dos estudantes para que os trabalhadores se juntem à luta.
A CGT reivindica aumentos do salário mínimo, dos vencimentos dos servidores, das aposentadorias e dos benefícios sociais, com reajustes vinculados aos preços. Também exige contratações e investimentos em hospitais, escolas, transportes e creches. A central denuncia que os cortes pioram o atendimento à população e as condições de trabalho, além de prepararem a privatização dos serviços.
Outro ponto do chamado é o combate ao fechamento de fábricas e às demissões promovidas por empresas beneficiadas com recursos públicos. A CGT exige que esse dinheiro seja empregado na manutenção e na criação de empregos. A paralisação reúne essas reivindicações às mobilizações já em curso entre a juventude e os funcionários públicos.
Repressão aos estudantes
Enquanto os sindicatos convocam as paralisações, a polícia reprime os protestos estudantis com prisões em massa e ataques que já deixaram jovens mutilados. Uma reportagem publicada pelo jornal L’Humanité em 15 de outubro informa que quase oito mil pessoas foram detidas e mantidas sob custódia desde 29 de setembro. Desse total, 85% são menores de idade.
Em Lens, um adolescente teve a mão arrancada por uma granada. Outro perdeu um olho em Argenteuil. Em Saint-Ouen-l’Aumône, um terceiro teve a mandíbula destroçada por uma granada disparada à queima-roupa. Os ferimentos se assemelham aos provocados pela repressão aos Coletes Amarelos em 2018 e 2019.
No dia 15, policiais à paisana tentaram levar um aluno de dentro do colégio Paul-Éluard, em Saint-Denis. Vídeos obtidos pelo L’Humanité mostram agentes agredindo funcionários que procuravam intervir. Um professor foi agarrado pelo pescoço. Antes da operação dentro da escola, a polícia de choque atacou os estudantes do lado de fora com cassetetes e gás lacrimogêneo.
Funcionários acusam o diretor Xavier Arthaud de preparar uma emboscada: ele teria convocado o jovem à sua sala sob um falso pretexto para entregá-lo aos policiais. Professores denunciam que o aluno ficou sozinho com os agentes, sem testemunhas. Cerca de vinte docentes reagiram e exigiram sua libertação. O estudante acabou sendo liberado.
Parte dos funcionários paralisou o trabalho por motivo de segurança. O coletivo exige a libertação dos estudantes presos, anistia, encerramento dos processos, afastamento da polícia das proximidades da escola e demissão do diretor. A direção anunciou o fechamento do colégio nos dias 15 e 16.
Professores e funcionários se reuniram diante da delegacia de Saint-Denis em apoio aos jovens detidos. O deputado Stéphane Peu (PCF), que esteve no local, afirmou que a direção autorizou e solicitou a entrada da polícia. “Nada justifica esta operação. Assistimos aqui a uma forte repressão, à semelhança do que acontece em toda a França”, denunciou.
Prisão durante a aula
No colégio Galilée, em Gennevilliers, um adolescente foi detido em 7 de outubro durante uma aula de espanhol. Ele era acusado de disparar um artefato pirotécnico antes do início das aulas, mas a prisão ocorreu horas depois. Os professores denunciam que não existia nenhuma urgência que justificasse a operação.
Sem saber o que os policiais pretendiam, um assistente de educação foi enviado para buscar o estudante na sala. A diretora também pediu a funcionárias que entregassem os cadastros fotográficos dos alunos à polícia. “Os conselheiros principais de educação não são auxiliares da polícia”, protestaram os docentes em comunicado.
Os professores contabilizam 12 detenções de alunos do Galilée desde o início do movimento. Um deles, Mehdi, relatou que recebeu um soco de um policial e sofreu ameaças e insultos racistas. Foi inocentado após o exame das câmeras de vigilância. Já o adolescente retirado da aula permaneceu sob custódia por mais de 24 horas e deverá comparecer ao juiz da infância em dezembro.
A violência também preocupa antigos participantes dos Coletes Amarelos que manifestaram solidariedade aos estudantes. Jérôme Rodrigues, que perdeu um olho atingido pela polícia em 2019, declarou ao L’Humanité que pretende participar da manifestação de 17 de outubro. Ele se dispôs a transmitir aos jovens a experiência do movimento: “Esses jovens lutam pelo seu futuro, pensam no longo prazo”.





