Em assembleia, a Central Operária da Bolívia (COB) decretou greve nacional com bloqueio de estradas a partir desta terça-feira (6) em nome da revogação do decreto 5503. A COB se manifesta contra o decreto, publicado em dezembro, que duplicou os preços dos combustíveis.
O decreto do governo neoliberal, que se elegeu por meio de fraude eleitoral que impediu a Evo Morales de participar das eleições, retira os subsídios aos combustíveis provocando aumentos de até 160% no diesel e de 86% na gasolina, após 20 anos dessa política com os governos de esquerda do MAS (Movimento ao Socialismo), com Evo Morales na presidência.
Ao mesmo tempo, o decreto aumentou o salário mínimo em apenas 20%. Esse decreto estabelece ainda reforma na legislação tributária e administrativa, com a costumeira desculpa de evitar desperdícios, com cortes nos gastos do governo e congelamento dos salários dos funcionários públicos.
Como era esperado, houve manifestações da classe trabalhadora, o governo decretou emergência econômica, energética e social para justificar as reformas “diante do processo inflacionário que vive o país, da escassez de dólares e de combustíveis”.
Para incentivar a economia, o governo decretou imposto zero para o retorno de capitais do exterior para o país destinados à produção local. “Procedimentos burocráticos relativos a investimentos, que antes levavam anos, estão sendo agilizados sem eliminar os controles legais, ambientais ou constitucionais. Sem investimento, não há empregos, e sem empregos, não há estabilidade social. Acelerar as decisões não significa perder a soberania, mas sim tornar o Estado mais eficiente,” diz o governo, que também alega que esse decreto marca o início da reconstrução nacional.
Como vimos, houve aumento dos preços dos combustíveis de mais de 100% enquanto o salário mínimo recebeu minguados 20%. Em contrapartida, o governo concede imposto zero para capitais que queiram se repatriar, novamente vemos o peso das reformas econômicas caírem sobre os ombros dos trabalhadores e aumento dos lucros para as empresas.
O aumento dos preços dos combustíveis provocou uma alta imediata nas tarifas de transporte e no custo da cesta básica, impactando diretamente a economia das famílias bolivianas.
Com esse decreto de dezembro, os trabalhadores iniciaram nova marcha a La Paz para estarem presentes quando a COB iria se reunir com o governo de Rodrigo Paz Pereira na segunda-feira dia 6.
Um líder sindical boliviano acusa o governo de promover a venda do país a corporações estrangeiras se utilizando de um decreto, em meio a uma grave crise socioeconômica. A Central Operária decidirá, mediante consulta às suas bases, se aceita um diálogo com o governo, que condiciona à sinceridade e ao atendimento das demandas populares.
A decisão da COB, anunciada na segunda-feira, responde à falta de resultados nas negociações com o Poder Executivo, liderado por Rodrigo Paz, a respeito do Decreto Presidencial 5503, popularmente conhecido como “gasolinazo” pela população, devido à eliminação dos subsídios para gasolina e diesel, o que gerou um aumento notável em seus preços.
“Vamos iniciar um bloqueio rodoviário nacional. Isso é para que o governo entenda que não se trata apenas de um capricho de um setor. Hoje vocês viram a marcha massiva liderada pela COB, com a participação de todos os setores. Outros setores se juntaram ao longo do caminho. A única exigência ao governo é que revogue este decreto maldito”, declarou o secretário executivo da COB, Mario Argollo, em uma coletiva de imprensa.
As forças de segurança bolivianas reprimiram os manifestantes da COB e os camponeses com gás lacrimogêneo e balas de borracha. Eles tentaram acessar a Plaza Murillo, onde ficam prédios do governo como a Casa Grande del Pueblo, na tentativa de fazer com que suas reivindicações fossem ouvidas diretamente das autoridades.
O debate em La Paz evidencia a profunda divisão entre o Governo e os setores sociais quanto aos rumos econômicos do país. As paralisações contam com o apoio do vice-presidente Edman Lara, que rompeu com o presidente e foi para a oposição, diz matéria na imprensa.
A crise na Bolívia reflete a crise tanto no continente quanto a mundial. A crise é do imperialismo, que chega ao seu final de dominação e de existência. E para continuar sobrevivendo, precisa fazer política de terra arrasada, destruindo todas as conquistas acumuladas em anos de lutas sangrentas pelos trabalhadores, que agora serão submetidos à mais cruel situação de superexploração, fome, miséria e doenças sem que o estado burguês imperialista tenha um mínimo de compaixão com a classe trabalhadora. Se tiverem que morrer de fome ou de doença tanto faz, não vão se importar de maneira nenhuma, o exemplo já foi exposto com a situação dos palestinos em Gaza, isso é o que está destinado aos trabalhadores até que possam derrubar de vez esse sistema de dominação, que será o último até que os trabalhadores conquistem o poder.





