Centenas de postos de combustível ficaram sem gasolina ou diesel na Austrália, em meio à crise internacional de abastecimento provocada pela guerra aberta pelos Estados Unidos e por “Israel” contra o Irã. Diante do problema, o governo trabalhista de Anthony Albanese firmou um acordo com Singapura para tentar manter o fluxo de petróleo refinado, diesel, gasolina e gás liquefeito entre os dois países.
O ministro da Energia, Chris Bowen, informou ao parlamento australiano, na segunda-feira (23), que 109 postos no estado de Vitória ficaram sem ao menos um tipo de gasolina, enquanto em Queensland 47 estabelecimentos estavam sem diesel e 32 sem gasolina comum. Em Nova Gales do Sul, 37 postos ficaram sem gasolina. Antes disso, o primeiro-ministro estadual Chris Minns havia declarado que 105 postos no estado estavam sem diesel.
Bowen não divulgou números para Austrália Ocidental, Território do Norte, Austrália do Sul e Tasmânia. Ele também se recusou a informar exatamente quando o governo soube que seis carregamentos de combustível deixariam de chegar ao país, afirmando apenas que se tratou de um “processo iterativo” e que os cancelamentos não ocorreram todos no mesmo dia.
Segundo o ministro, a adoção de racionamento não está colocada de forma imediata, mas o governo já iniciou um planejamento de contingência. Ele afirmou que, antes de qualquer medida mais dura, a primeira etapa seria uma campanha pública para conter o consumo e pedir economia de combustível. Autoridades do governo disseram ainda que os poderes dos estados seriam acionados antes de uma eventual declaração federal de emergência nacional no abastecimento.
No mesmo dia, Albanese divulgou uma declaração conjunta com o primeiro-ministro de Singapura, Lawrence Wong, reafirmando o compromisso de ambos os países em manter aberto o comércio de energia. Singapura é uma das principais origens do petróleo importado pela Austrália, e o receio do governo é que países exportadores passem a reter combustível para consumo interno, em vez de manter os volumes habituais de exportação.
A declaração conjunta afirmou que Austrália e Singapura vão “apoiar o fluxo de bens essenciais, incluindo óleos de petróleo, como diesel, e gás natural liquefeito entre nossos dois países, e notificar e consultar um ao outro sobre quaisquer interrupções com repercussões no comércio de energia”.
A crise levou o governo australiano a discutir abertamente o uso de suas exportações de carvão e gás como instrumento de pressão para garantir a entrada de petróleo refinado. A Austrália é uma das maiores exportadoras de gás do mundo, e integrantes do governo passaram a tratar essa posição como elemento de barganha para assegurar a continuidade das importações de combustíveis líquidos.
O ministro Mark Butler declarou que o governo está trabalhando com parceiros regionais para restabelecer o abastecimento. Já o secretário assistente de Relações Exteriores, Matt Thistlethwaite, afirmou que a Austrália tem a vantagem de ser uma das maiores distribuidoras de gás natural liquefeito do mundo e que países como a Coreia do Sul dependem fortemente desse fornecimento.
Ao mesmo tempo, cresceram as preocupações com o fornecimento de fertilizantes e de outros insumos químicos. Setores da oposição passaram a defender o uso das exportações australianas de combustíveis fósseis para garantir a entrada desses produtos. A porta-voz da oposição para recursos naturais, Susan McDonald, chegou a afirmar que, caso as rotas marítimas não fossem normalizadas rapidamente, seria necessário suspender as sanções contra fertilizantes produzidos pela Rússia.
Apesar da deterioração da situação, o governo afirmou que o sistema ainda não entrou em falência total. Segundo informações oficiais, a Austrália recebe em média 80 carregamentos de combustível por mês, e seis deles foram cancelados ou adiados. Bowen disse que parte dessas cargas já começou a ser substituída por outras rotas de importação.
As reservas existentes também foram apresentadas como um fator de contenção temporária da crise. Ainda na segunda-feira, os estoques de gasolina eram suficientes para cerca de 38 dias de consumo, enquanto os de diesel e querosene de aviação cobriam aproximadamente 30 dias.
O governo australiano já havia adotado uma medida emergencial em 12 de março, quando autorizou temporariamente uma mudança nos padrões de qualidade do combustível para conter a alta dos preços. Com isso, passou a ser permitido, por 60 dias, um nível mais alto de enxofre no combustível vendido no país. A medida tinha como objetivo redirecionar 100 milhões de litros, que inicialmente seriam exportados, para o mercado interno.
De acordo com o ministério, a empresa Ampol comprometeu-se a direcionar esse combustível para regiões com maior escassez e para o mercado atacadista à vista, atendendo distribuidores independentes e produtores rurais.


