Polêmica

Censura é política de guerra

Ao pedir que o Supremo Tribunal Federal e as autoridades brasileiras sigam o exemplo norte-americano, O Globo clama pela criação de um Ministério da Verdade global

No último dia 20 de fevereiro, o jornal O Globo publicou um editorial intitulado Ação nos EUA abre caminho para redes sociais mais seguras, no qual celebra o cerco jurídico contra Mark Zuckerberg e a Meta no Tribunal Superior de Los Angeles. Sob o pretexto humanitário de combater a “ansiedade juvenil”, os “transtornos de imagem” e o “vício” digital, o porta-voz da família Marinho utiliza o sofrimento real de crianças e adolescentes para pavimentar o caminho para algo muito mais sinistro: a consolidação de um aparato global de censura sob controle direto do imperialismo. A tese do jornal é que a “fase de discussão” sobre o perigo das redes foi superada por “evidências científicas” e que, portanto, a única saída é a punição rigorosa e o chamado “aperfeiçoamento da regulação”.

O que o editorial omite de forma deliberada, no entanto, é que essa regulação não visa o bem-estar mental da juventude, mas sim o controle absoluto do fluxo de informações em um momento em que as potências imperialistas preparam o terreno para conflitos de larga escala e para o esmagamento das dissidências internas.

É uma política recorrente e historicamente comprovada da direita e dos setores liberais utilizar causas morais, como a proteção de menores e a integridade da família, para aprovar legislações que, na prática, suspendem as liberdades democráticas da população em geral. Ao exigir que o Estado dite o que pode ou não ser exibido ou que estabeleça parâmetros rígidos de “segurança” sob a justificativa de combater o vício, O Globo entrega as chaves da liberdade de expressão para a mesma Justiça que, sistematicamente, persegue organizações operárias, movimentos populares e qualquer voz que questione a ordem estabelecida. Se a preocupação do grande capital fosse genuinamente com a saúde da juventude, o debate não estaria centrado na punição de plataformas, mas sim sim na redução drástica da jornada de trabalho para que os pais pudessem conviver com os filhos e no investimento massivo em educação pública.

Ao pedir que o Supremo Tribunal Federal e as autoridades brasileiras sigam o exemplo americano de “impor a lei às redes”, o editorial clama, na prática, pela criação de um Ministério da Verdade global. A pressa do imperialismo em regular as redes sociais, visível tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil com a Lei Felca e outras iniciativas autoritárias, não é uma coincidência histórica ou um súbito surto de bondade do grande capital.

É profundamente hipócrita que uma empresa como a rede Globo, que cresceu e se agigantou à sombra da Ditadura Militar, servindo como o principal órgão de propaganda da repressão e manipulando a opinião pública em prol de todos os golpes de Estado recentes no Brasil, fale agora em responsabilidade. A preocupação real não é com a “Geração Ansiosa”, mas com a perda catastrófica do monopólio da informação que as grandes famílias do jornalismo tradicional detinham. A Meta, o YouTube e o Google são, de fato, corporações gigantescas que visam exclusivamente o lucro e exploram seus usuários de todas as formas possíveis, mas a solução da classe operária não pode ser pedir que o Estado capitalista — o mesmo que nos oprime — atue como censor dessas plataformas. Pelo contrário, a luta deve ser pela liberdade total de expressão e de organização, sem a tutela de juízes que decidem, de seus gabinetes, o que o povo pode ou não ler.

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