Cem dias se passaram desde que o acordo de cessar-fogo entre o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) e o Estado de “Israel” entrou em vigor, em 10 de outubro de 2025. O que para a imprensa burguesa internacional e para os porta-vozes do imperialismo foi vendido como uma interrupção nas hostilidades por vias diplomáticas, revela-se hoje, com o distanciamento dos fatos, como a maior vitória militar e política da história da Resistência Palestina. Ao completar cem dias desta nova realidade, o cenário na Faixa de Gaza e em todo o Oriente Médio não deixa dúvidas: o Hamas não apenas sobreviveu à tentativa de aniquilação promovida pela máquina de guerra sionista, como saiu do conflito fortalecido, unificando o povo palestino e desmoralizando o exército de “Israel” diante de todo o mundo.
A vitória do Hamas é, antes de tudo, uma vitória militar indiscutível. Durante dois anos de uma agressividade sem precedentes, “Israel”, apoiado pelo exército de vários países, utilizou em Gaza o equivalente a várias bombas atômicas de Hiroxima em termos de poder explosivo. No entanto, após esse nível de destruição, as forças de ocupação foram obrigadas a aceitar uma trégua sem ter destruído o Hamas e sem ter resgatado os prisioneiros pela força. Quando uma força infinitamente superior em termos tecnológicos e financeiros, apoiada por todas as potências imperialistas do globo, é forçada a sentar à mesa de negociações com uma guerrilha que prometeu exterminar, a derrota do agressor é inquestionável. O cessar-fogo foi o reconhecimento implícito de que “Israel” não conseguia mais progredir no terreno e que seus soldados estavam afundados em uma crise de desmoralização sem precedentes, acumulando mais de 20 mil baixas e um colapso psicológico nas tropas.
A resistência liderada pelas Brigadas Al-Qassam operou um verdadeiro milagre. Sob o olhar de todos os satélites e sistemas de espionagem do Mossad e da CIA, os combatentes palestinos mantiveram sua infraestrutura de túneis, sua cadeia de comando e sua capacidade de lançar ataques. Mais do que isso, o Hamas demonstrou uma superioridade moral que quebrou a espinha dorsal da propaganda sionista. Enquanto “Israel” bombardeava hospitais e escolas, a liderança do Hamas mantinha o controle político da situação e forçava o inimigo a trocar prisioneiros. A libertação de milhares de palestinos das masmorras de “Israel” foi o golpe de misericórdia no discurso de que o Hamas seria um grupo isolado. Pelo contrário, ao exigir a libertação de figuras como Maruan Barguti e cumprir a promessa de Iahia Sinuar de esvaziar as prisões, o Hamas consolidou-se como a única liderança real de todo o povo palestino, enterrando a autoridade fantoche de Mahmoud Abbas, que hoje não passa de um departamento administrativo da ocupação.
No plano internacional, estes cem dias de vitória marcam o enterro definitivo da imagem de “Israel” como “vítima” ou como um Estado democrático. O investimento de bilhões de dólares em marketing e lobby sionista foi reduzido a cinzas. A mobilização global, que levou milhares às ruas de Londres, Paris e Nova Iorque, não foi apenas por uma trégua, mas em apoio direto à resistência armada. A percepção da juventude mundial mudou: “Israel” é visto agora como um Estado criminoso, um enclave colonial que só sobrevive por causa do oxigênio financeiro e militar fornecido pelos Estados Unidos e pela Europa. O fato de 30% da juventude universitária norte-americana apoiar abertamente o Hamas e a luta “do Rio ao Mar” é o sintoma de que o imperialismo perdeu o controle da propaganda.
Como em todas as grandes revoluções da história, da vietnamita à cubana, a liberdade não é um presente, mas uma conquista arrancada com sangue. O povo palestino demonstrou que prefere lutar e morrer de pé a viver como escravo em um campo de concentração a céu aberto. O Hamas, composto por filhos, pais e irmãos de Gaza, não é um grupo de “aventureiros” externos, mas a própria população em armas.
Estes cem dias são apenas o começo de uma nova etapa. O imperialismo está em decadência e sua agressividade é o sinal do seu desespero. A guerra em Gaza serviu para mostrar que a única linguagem que os opressores entendem é a da força bruta. A resistência não se desarmou e não fará concessões; ela se reorganiza para a próxima etapa, sabendo que “Israel” está mais fraco, dividido internamente e cada vez mais isolado.




