Oriente Médio

Catar, Filipinas, Austrália e Itália: crise energética avança

Crise econômica, energética e falta de combustiveis já afetam vários países asiáticos e europeus

Nesta terça-feira (24) uma matéria publicada pela imprensa catarense, Al Jazeera, informa que a Catar Energy declara “força maior” em alguns de seus contratos de fornecimento de gás natural liquefeito (GNL) de longo prazo, incluindo contratos com clientes na Itália, Bélgica, Coreia do Sul e China.

Força maior, do francês force majeure, que significa “força superior”, é uma cláusula contratual que permite que uma das partes seja dispensada de suas obrigações quando um evento fora de seu controle impede o cumprimento das mesmas.

Empresas no Catar, Kuwait e Bahrein invocaram o mecanismo de proteção após as interrupções na navegação pelo Estreito de Ormuz, causadas pelos ataques criminosos militares conjuntos dos EUA e de “Israel” contra o Irã, que começaram em 28 de fevereiro.

Conforme a Al Jazeera, um ataque iraniano às instalações de gás de Ras Laffan, no Catar, eliminou cerca de 17% da capacidade de exportação de GNL, causando uma perda estimada de US$ 20 bilhões em receita anual e ameaçando o fornecimento para a Europa e a Ásia. Segundo um CEO da Qatar Energy os reparos nas instalações afetadas irão interromper a produção de 12,8 milhões de toneladas de GNL por ano durante um período de três a cinco anos.

Por este motivo a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, viajará à Argélia esta semana, enquanto Roma busca fontes alternativas de gás. O ministro da Energia italiano, Gilberto Pichetto Fratin, afirmou que a Argélia está entre os diversos países em negociações ativas para compensar o déficit. O Catar, anteriormente, supria cerca de 10% da demanda de gás da Itália.

Nesse ínterim, as Filipinas, também nesta terça-feira, se juntaram ao crescente número de países asiáticos que lutam para garantir o abastecimento de combustível e energia. O presidente filipino, Ferdinand Marcos Jr., declarou estado de emergência energética nacional, alertando para um “perigo iminente para a disponibilidade e a estabilidade do abastecimento energético do país”.

O presidente acrescentou que a crise criou “incerteza nos mercados globais de energia, graves interrupções na cadeia de suprimentos e volatilidade significativa e pressão de alta nos preços internacionais do petróleo”, ameaçando a segurança energética nacional. As autoridades filipinas também alertaram que a crise poderia enfraquecer o crescimento econômico, elevar a inflação a níveis “não vistos há anos”.

Na Austrália, o governo já iniciou um planejamento de contingência. Centenas de postos de combustível ficaram sem gasolina ou diesel. O ministro da Energia, Chris Bowen, informou ainda na segunda-feira (23)  que 109 postos no estado de Vitória ficaram sem ao menos um tipo de gasolina, enquanto em Queensland, 47 estabelecimentos estavam sem diesel e 32 sem gasolina comum. Em Nova Gales do Sul, 37 postos ficaram sem gasolina. Antes disso, o primeiro-ministro estadual Chris Minns havia declarado que 105 postos no estado estavam sem diesel.

Diante do problema, o governo trabalhista de Anthony Albanese firmou um acordo com Singapura para tentar manter o fluxo de petróleo refinado, diesel, gasolina e gás liquefeito entre os dois países.

A cada dia que passa, a crise econômica e energética em todo o globo se intensifica deixando claro que o eixo da resistência islâmica acertou o imperialismo onde mais dói, fontes de energia e combustíveis levando a uma pressão gigantesca por partes de países alinhados com o império, agora contra o conflito. 

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