Mal terminada a Campanha Salarial da categoria bancária, a diretoria do Banco do Brasil apresenta proposta para a recomposição das reservas do Plano de Saúde dos funcionários do banco, cujo objetivo é onerar, mais uma vez, os trabalhadores e piorar as condições de vida dos seus funcionários.
Segundo a proposta do banco, apresentada na 11ª rodada de negociações sobre o custeio da Cassi (Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil), que aconteceu junto à Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil no último dia 29 de outubro, haveria um aporte no valor de R$ 2,288 bilhões, do qual o banco se compromete a assumir 60%, o equivalente a aproximadamente R$ 1,373 bilhão, e os 40% restantes, ou seja, R$ 915 milhões, ficariam a cargo dos titulares do Plano de Associados.
Sob o velho argumento de viabilizar “soluções” para sanar as “dificuldades” pelas quais passa a Cassi, a diretoria do BB quer passar a conta do tal “prejuízo” para as costas dos seus funcionários.
Depois de apresentar uma proposta ridícula na Campanha Salarial, defendida caninamente pela burocracia sindical, de míseros 0,6% de “ganho real”, insistindo na política de ataques aos trabalhadores, a diretoria agora apresenta mais uma conta para que os trabalhadores paguem por aquilo que não é de sua responsabilidade.
Só para se ter uma ideia, um escriturário que, antes do famigerado reajuste salarial de 2026, recebia de vencimento um salário-base no valor de R$ 4.414,34, com o “reajuste” do INPC + 0,6%, viu o seu salário passar para R$ 4.314,24, ou seja, um “ganho real” de R$ 26,50. Com a “nova” proposta do banco para a Cassi, o desconto de 4% no salário-base passou para R$ 172,60. Aplicando-se o golpe de 32% a mais na contribuição para a tal recomposição das reservas da Cassi, será adicionado um desconto de R$ 55,24, ou seja, mais que o dobro do valor do famigerado reajuste salarial. Como os cálculos dos órgãos oficiais para a inflação não mostram a verdadeira inflação que come o bolso do trabalhador, essa proposta onerará ainda mais o poder de compra do bancário do BB, deteriorando mais ainda as já precárias condições de vida do trabalhador.
Por outro lado, a direção do banco penaliza brutalmente os seus funcionários por meio do arrocho salarial, enquanto, para os capitalistas, o tratamento é de pai para filho. Os latifundiários (carinhosamente chamados de agronegócio) foram contemplados com uma “renegociação” das dívidas junto ao banco cujo valor pode alcançar, até o final de 2026, a cifra de R$ 20 bilhões, dívida essa com juros subsidiados e prazo de 10 anos para pagamento.
Ao contrário da política da burocracia sindical, que defende que a proposta do banco é “um passo importante para enfrentar as necessidades financeiras da Cassi e criar condições para a continuidade das discussões sobre um novo modelo de custeio, capaz de assegurar sua sustentabilidade no longo prazo” (site da Contraf, 30/10/2026), a proposta da direção do banco chama a categoria a pagar um rombo que não é responsabilidade dos associados.
Cabe aos trabalhadores do Banco do Brasil barrar mais esse ataque dos banqueiros e organizar a mobilização por seus direitos.



