Valéria Guerra

Jornalista (UMESP), historiadora, atriz com DRT-RJ, escritora, colunista do 247, PCO, e do meu site (https://guerraluz.prosaeverso.net/); mestre em Intervenção Psicológica no Desenvolvimento e na Educação; professora do Estado do RJ na cadeira de biologia, poetisa e ativista contra a desigualdade no Brasil e no mundo.

Coluna

Carta a 2026!

O segredo é nunca capitular

2026…

A vida longa de 2025 se esvai hoje. Dentro de algumas horas, o senhor estará entre nós, ocupando o trono de uma temporalidade hodierna. Como será sua estadia?

A lua, as estrelas, os mares, os rios, as cavernas, sem dúvida, serão perenes em seus cursos. Os minerais, vegetais e animais continuarão seus ciclos, caso o planeta resista a tanta negligência (entre guerras e covardias). Mas a vida social talvez não mude, especialmente se todos os projetos assistencialistas, fantasiados de solução, permanecerem a serviço do imperialismo. Aposentados, professores, o operariado, em geral, continuarão no mesmo patamar.

A ingratidão e o descaso, a corrupção ativa e passiva também são planos de continuísmo perpétuo do sistema dominante, que nunca dorme, ano após ano. A tripartição sistêmica continuará, independentemente de leis, possíveis impeachments ou o que o valha.

A retórica continua sendo uma arma poderosa de convencimento e enredamento popular, e isso é tristíssimo, meu caro senhor 2026! Aqui, em nosso país, não temos Marat(s), Robespierre(s) ou Danton(s)… no mínimo um Tiradentes, que fora subutilizado e esquartejado, a mando de uma rainha “louca”.

Hipátia, docente e bibliotecária grega, fora arrastada e morta por uma casta de cristãos ignorantes, em Alexandria. Em 415 d.C., a intolerância já existia. Como o senhor irá tratar este assunto? Será que a cultura continuará capengando, com o lobby imperando? Nem todos se beneficiam da tal Lei Rouanet: afinal, há vida seletiva no mainstream.

Talvez fique mui difícil para o senhor 2026 assistir a milhares de mortes no decorrer de sua gestão: professores aposentados do Rio de Janeiro, com salários em torno de 2.000 reais, morrendo de fome; pobres assaltados levando bala a torto e a direito; e a política partidária, sim, a velha raposa “política partidária”, sendo o que sempre foi: projeto pessoal apaixonado de poder…

“Salve-se quem puder” ainda será o mote nesta republiqueta, fato que não será miragem, apesar do calor abrasador que faz aqui no Brasil. A tresloucada vida do gestor político será sempre igual: CASA GRANDE E SENZALA, tanto à esquerda como à direita. Quem sabe surja um líder justo, oriundo do PCO, por exemplo.

Seja bem-vindo, 2026, e muita sorte em sua administração no Brasil; só espero que não seja aliciado, como os outros anos foram.

Ah, e cuidado com os “influencers” agnósticos em termos cognitivos. Eles podem querer roubar seu brilho de Ano Novo. O segredo é nunca capitular.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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