A invasão e bombardeio de Caracas (bem como o sequestro de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela e sua mulher, Cilia Flores, primeira-dama) ocorrido na madrugada do sábado (03.01) expõe a céu aberto a ditadura do governo de Washington e a pretexto das declarações públicas de Donald Trump, de combate ao narcoterrorismo e de supostamente levar a liberdade ao povo venezuelano, o que está em jogo, de fato, é o interesse dos Estados Unidos de controlar os minerais críticos e, sobretudo, as reservas de petróleo da Venezuela.
Que fique claro: Donald Trump é um tirano detestável, um criminoso brutal, líder e cúmplice do extremismo de direita que assombra a América Latina e busca impor pela força das armas, o controle sobre as reservas das riquezas naturais, inclusive, de países sul-americanos reeditando, de forma asquerosa e imperdoável o domínio colonial, quando as metrópoles europeias usurpavam de suas colônias seus recursos naturais.
Donald Trump, este carrasco do Partido Republicano, apesar de seu discurso inverídico de combate ao que designa como narcoterrorismo (visando,com isso, apenas tentar legitimar as ações militares norte-americanas para além de suas fronteiras) não tem, no entanto, legitimidade alguma para atacar a soberania dos povos, intervir em assuntos internos de outros países, derrubar autoridades constituídas e depor presidentes por via armada em ações militares com invasão territorial e sequestro planejados e cujo objetivo real imediato é saquear as riquezas naturais do país agredido.
Desta forma, a operação militar de guerra contra a Venezuela e sob o comando da ditadura de Donald Trump é um crime porque afronta o direito Internacional em patente desrespeito à Carta da ONU, ao Conselho de Segurança da ONU, ao Tribunal Internacional de Justiça – TIJ, instância atrelada à ONU ou ainda, e dela independente, o Tribunal Penal Internacional – TPI (sediado em Haia) órgãos aos quais competem, por legitimidade, apreciar os conflitos entre os países.
No entanto, de maneira unilateral, à revelia das instâncias competentes, Donald Trump, comanda na Venezuela: uma invasão territorial armada por terra, ar e mar, promove bombardeio em solo estrangeiro, leva a cabo o sequestro de uma autoridade constituída, portanto, agride a soberania de um país inteiro visando roubar-lhe as riquezas, ou seja, com todo este espetacular e assombroso acúmulo de crimes pergunto: será que há, em política, algum ingênuo na Terra e que duvide ser Donald Trump, um ditador?
Aliás, quem Donald Trump pensa que é? Para impor uma transição de governo na Venezuela. Quem Donald Trump pensa que é? Para determinar que irá governar interinamente nosso irmão sul-americano. Quem Donald Trump pensa que é? Para ameaçar outros povos, quando em seu discurso de anúncio de que Nicolás Maduro e Cilia Flores estão em seu poder, diz – sem rodeios – que esta ação ocorrida poderá atingir outros líderes mundiais e, consequentemente, desde já anuncia novas intervenções armadas objetivando restaurar, no mundo, o que chamou de respeito aos Estados Unidos.
Com isso, evidencia-se em uma perspectiva geopolítica mais geral que, a conduta ditatorial de Donald Trump e do governo da Casa Branca, não visa a curto e médio prazo apenas roubar as riquezas naturais dos países diretamente agredidos, mas há, no fundo destas ações militares autoritárias, uma perspectiva de longo prazo, que consiste em, aos poucos, gerar uma tensão permanente com seu alvo principal. O alvo principal de Donald Trump: é a China.
Assim, atinge-se em bombardeio criminoso a Venezuela, Caracas, mas o alvo: é a China.
Donald Trump quer a guerra. O governo de Washington necessita de um combate direto e bem sucedido com seu rival principal para restaurar, no mundo, o respeito aos Estados Unidos e, portanto, a hegemonia norte-americana só poderá prosperar com o pretendido fim do multilateralismo e a imposição unilateral de seu domínio, do domínio absoluto estadunidense que passa, na concepção de Donald Trump, necessariamente, por uma completa vitória econômica, política e, inclusive militar, contra a China.
Daí porque, a guerra comercial deflagrada por Donald Trump, por meio do tarifaço, as intervenções do governo norte-americano na Faixa de Gaza, a interferência de Washington na guerra da Rússia contra a Ucrânia e, agora, a guerra dos Estados Unidos contra a Venezuela constituem, por parte da Casa Branca, condutas que visam desde já advertir a China, que os Estados Unidos não aceitam compartilhar o domínio do planeta, nem prolongar a perda de seu status de país hegemônico no globo, e que com o propósito de restaurar o domínio unilateral estadunidense, a China deve recuar em seu projeto de suceder aos Estados Unidos na governança mundial.
Como pode-se verificar, nesta operação militar de 3 de Janeiro, o alvo final dos Estados Unidos nunca foi: o chavismo, Maduro ou a Venezuela
Nem as riquezas naturais como petróleo ou minerais críticos são o objetivo último desta intervenção militar.
De fato, Donald Trump tem interesse em derrubar o chavismo depondo Maduro e substituindo-o por um governante dócil, fantoche, que dê de mãos beijadas a riqueza do país.
Isto tem, geopoliticamente, uma importância pontual, imediata, porém, reitero, em uma perspectiva geopolítica mais geral e de longo prazo, claro esta que: o alvo principal é a China; por isso, as ações militares norte-americanas no globo visam intimidar o governo chinês, mas não só: visam, sobretudo, anunciar que um confronto direto será inevitável, pois, este confronto bélico deverá decidir quem reinará na orbe. Portanto, os Estados Unidos constituem-se em uma ameaça à humanidade.
Donald Trump, este ditador implacável, no fundo, não está nem aí para as drogas que entram nos Estados Unidos.O que faz é apenas usar este problema como cortina de fumaça, um pretexto vil, mero ardil venenoso para buscar se impor no mundo e ater-se ao que, para ele, realmente, importa: quem vai, ao final, deter o controle mundial: Estados Unidos ou China?( é claro que Donald Trump supõe que os Estados Unidos irão triunfar).
No entanto, contrariando as expectativas deste tirano, assevero:
Toda a exibição da máquina de guerra que os Estados Unidos possui, toda a ostentação de seu poderio militar e alta tecnologia da ditadura trumpista para agressão armada, toda a prática de intervenção territorial violenta, inclusive, o golpe de Estado na Venezuela com a deposição de Nicolás Maduro, longe de externar a força dos Estados Unidos apenas sinalizam, e de forma contraditória, denunciam a fraqueza norte-americana e desde já constatam que: o império estadunidense está maduro para seu declínio irreversível.
Mas, o quê? Como?
Isto, porém, é uma outra história…




