O Canadá poderá tornar-se o primeiro “membro associado” da União Europeia, anunciou nesta quarta-feira (16) a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
A declaração foi feita durante seu discurso anual no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, diante do primeiro-ministro canadense Mark Carney.
Von der Leyen afirmou que Bruxelas pretende elevar a cooperação com Ottawa.
“Europa e Canadá acreditam na democracia.”
As regras atuais permitem adesão plena à União Europeia apenas a países europeus.
A categoria de “membro associado” anunciada por Von der Leyen ainda não foi detalhada. Não está claro quais direitos políticos, comerciais ou institucionais o Canadá teria nem que mudanças seriam necessárias para criar esse modelo.
Carney acompanhou a declaração no plenário e recebeu aplausos dos eurodeputados.
O anúncio ocorre depois de meses de atritos entre o governo canadense e a Casa Branca.
Desde a volta de Donald Trump à Presidência, Ottawa tornou-se alvo da política comercial norte-americana. Carney passou a defender maior articulação entre países de peso intermediário e redução da dependência diante das grandes potências.
Von der Leyen negou que a aproximação seja dirigida contra outro governo.
“Esta não é uma parceria contra ninguém, mas para nosso fortalecimento comum.”
O primeiro-ministro canadense deverá falar ao Parlamento Europeu nesta quinta-feira (17).
Até que a Comissão apresente a proposta formal, “membro associado” permanece como uma definição política sem regras jurídicas públicas.
O anúncio, porém, mostra uma aproximação incomum entre a União Europeia e um país norte-americano justamente num período de deterioração das relações de Ottawa com os Estados Unidos.


