A Polícia Federal (PF) prendeu em flagrante na quinta-feira (5) um jovem de 21 anos em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, por publicações em redes sociais. A operação, batizada cinicamente de Risco Iminente e conduzida pela Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos (Deleciber), apura crimes de “discurso de ódio”, incentivo à automutilação e ao suicídio e “incitação” a ataques violentos.
Policiais cumpriam um mandado de busca e apreensão na residência do investigado quando, segundo a própria PF, identificaram que ele havia publicado novos conteúdos nas redes sociais. A publicação recente serviu de base para a prisão “em flagrante”. O jovem foi levado à superintendência da PF no Centro do Rio e depois encaminhado ao sistema prisional. Responderá por racismo e apologia do nazismo. A investigação prossegue para apurar eventuais crimes de terrorismo e a participação de outras pessoas.
Não foram apresentadas provas públicas de qualquer ato concreto de violência. O que levou o jovem à prisão foram publicações na Internet.
A Operação Risco Iminente ocorre em seguida a outras operações do mesmo tipo, noticiadas por este Diário. No dia 29 de janeiro, a PF prendeu um homem em Bauru em operação conjunta com o FBI por supostos “atos preparatórios de terrorismo”, sem que qualquer prova fosse apresentada ao público. No mesmo dia, a Polícia Civil do Mato Grosso prendeu um jovem de 20 anos após alerta da HSI, agência ligada à Embaixada dos Estados Unidos. Em fevereiro, a Deleciber, a mesma delegacia responsável pela operação desta semana, cumpriu mandado em Nova Friburgo contra um jovem investigado por “discurso de ódio” contra a população “LGBTQIA+”.
O que une todos esses casos é a subordinação da PF aos serviços de inteligência do imperialismo. Em 28 de janeiro deste ano, o vice-diretor da CIA, Michael Ellis, visitou oficialmente o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, em Brasília. A reunião foi apresentada como “visita de cortesia”. O padrão das operações realizadas nos dias seguintes deixa claro o que foi tratado.
A PF que prende brasileiros por publicações na Internet é a mesma que deportou o refugiado Abdullah Abu Zaid e expulsou o ativista Muslim Abuumar a pedido de agências norte-americanas e israelenses. É a mesma que perseguiu Lucas Passos Lima, condenado inicialmente a 16 anos por ter viajado ao Líbano e feito pesquisas na Internet. É a mesma que age contra defensores da Palestina enquanto os assassinos de Gaza circulam livremente.
Nenhuma operação da Deleciber foi aberta contra quem publica nas redes sociais em defesa do genocídio palestino. Nenhum mandado foi cumprido contra quem celebra os bombardeios de “Israel” sobre escolas e hospitais. O “discurso de ódio” que mobiliza a Polícia Federal é definido nos Estados Unidos e em “Israel”.
O acordo firmado esta semana entre o Governo do Distrito Federal e a Confederação Israelita do Brasil (Conib), principal entidade sionista do País, para atuar conjuntamente no “enfrentamento ao discurso de ódio” aponta para onde esse processo caminha. O que está sendo feito, operação a operação, é um aparato de censura em que a definição do que pode ser dito passa pela PF, pelo STF e, cada vez mais abertamente, pelos representantes de “Israel” no Brasil.




