Victor Assis da Silva

Colunista do Diário Causa Operária. Membro da Direção Nacional do PCO.

Coluna

Cadê as feministas para condenar o assassinato de 53 meninas?

No início do ano, as mesmas feministas estavam celebrando a revolta armada organizada pelo Mossad e pela CIA contra o país que dirige o Eixo da Resistência

Cinquenta e três alunas foram assassinadas após um ataque contra a escola primária feminina “Shajareh Tayyebeh”, em Minab, segundo a nota nº 2 do Conselho de Informação do governo iraniano, após a ação criminosa do Estado de “Israel” e do imperialismo norte-americano. O dado é objetivo e brutal: dezenas de meninas mortas num único ataque. Diante disso, chama muito a atenção o silêncio das feministas que tanto fazem alarde contra a “ditadura” da República Islâmica do Irã.

No início do ano, as mesmas feministas estavam celebrando a revolta armada organizada pelo Mossad e pela CIA contra o país que dirige o Eixo da Resistência. O motivo? O regime mais revolucionário do Oriente Próximo seria, para as tais feministas, um “opressor” das mulheres.

A mulher é oprimida na sociedade em que vivemos. Apenas o socialismo dará conta de superar completamente as contradições que levam a esse tipo de opressão. Mas o que podemos dizer, por ora, é que, enquanto a Revolução Iraniana praticamente erradicou o analfabetismo feminino e enquanto, no Irã, 60% dos estudantes universitários são do sexo feminino, o imperialismo “democrático” assassina meninas durante o período escolar.

É por isso que a pergunta não é retórica: cadê as feministas? Para endossar uma campanha de desestabilização vendida como “libertação”, elas aparecem; para denunciar o assassinato de 53 meninas numa escola, somem.

No fim das contas, o apoio à operação do Mossad e o apoio tácito ao assassinato de meninas não são muito distintos. Afinal, os protestos do início do ano foram, ao contrário da propaganda feminista, extremamente violentos.

Na capital, o prefeito Alireza Zakani afirmou que provocadores atacaram dois hospitais, 25 mesquitas e 26 bancos, incendiaram 48 veículos do corpo de bombeiros e agrediram equipes que tentavam conter os incêndios; também houve ataques a bases do Basij e a instalações policiais. Houve ainda registros de um homem queimado vivo, mercados saqueados, paramédicos agredidos ao socorrer feridos, ambulâncias danificadas e o uso de coquetel molotov contra policiais. O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, em relatório divulgado em 22 de janeiro, afirmou que a onda de ações golpistas armadas deixou 3.117 mortos e descreveu “crimes ao estilo Estado Islâmico”, com decapitações, esfaqueamentos e pessoas queimadas vivas, além de destruição coordenada contra infraestrutura pública.

O feminismo anti-Irã nada tem de libertador. É apenas uma cobertura para os crimes mais reacionários dos maiores inimigos das mulheres e da humanidade.

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