O Estadão, jornal que publicou um editorial fascista no dia 28 de fevereiro intitulado Ninguém vai chorar pelo Irã, publica agora, 11 de março, um texto do sionista Denis Lerrer Rosenfield, um dos fundadores do ultrarreacionário Instituto Millenium. O artigo se chama A teocracia iraniana e a guerra. Uma coleção de mentiras, como é costume que tenta justificar os crimes cometidos contra a humanidade pela entidade sionista e seus patrocinadores.
A abertura do artigo, o olho, não condiz com o que acontece no terreno, diz que “não tendo como ganhar esta guerra, sobra-lhe [ao Irã] apenas disseminar o caos no Oriente Médio, atacando até aliados como o Catar e Omã. Perdeu o norte”. Se quisesse ser exato, Rosenfield teria escrito que os ataques são às bases americanas, utilizadas para os iranianos. São, portanto, alvos legítimos.
Há, ainda, outro dado interessante, as pessoas desses países que postaram vídeos das bases sendo bombardeadas vibravam, gritavam de alegria. Prova de que ninguém quer os americanos por lá.
O primeiro parágrafo é uma aula de cinismo, diz que “a teocracia iraniana está vivendo o estertor de uma estratégia fracassada. Durante décadas, deu-se como missão a destruição do Estado de Israel. Sempre o declarou abertamente, embora a esquerda mundial se tenha feito de surda. Terminou, por via de consequência, compactuando com o assassinato iraniano de mulheres, a repressão constante de sua população, tratada como se fosse uma massa de escravos sem direitos. Sua opressão conta com milhares de vítimas. O silêncio predominou. Agora, repentinamente, essa esquerda voltou a se manifestar contra o ataque americano e israelense, como se a agressão iraniana a seu próprio povo fosse um mero direito dos aiatolás”.
Todos sabem que o Irã é uma república islâmica, não uma teocracia. No entanto, é curioso ouvir isso de quem defende que “Israel” é a terra prometida. O país que abriga pessoas como Daniella Weiss, que diz que os palestinos não vão ficar em Gaza, devem ir para a África, e que não se incomoda que chamem isso de apartheid ou limpeza étnica. E ninguém vai acreditar que ela seja minoria.
Rosenfield acusa a esquerda de compactuar com assassinato de mulheres no Irã. Quais, as 180 meninas que foram trucidadas na escola com armamento norte-americano? Isso quando o mundo está vendo o que fazem contra as mulheres na Palestina, matando-as sob bombardeio, tiros, fome, sede, ou destruindo todos os hospitais.
Em “Israel”, neste momento, existem mais de 9.500 palestinos presos: 73 prisioneiras; 350 crianças, detidas nas prisões “Megido” e “Ofer”; 3.442 detidos administrativos, representando 36% da população carcerária total; 1.249 detidos classificados pela ocupação como “combatentes ilegais”, número que exclui numerosos detidos de Gaza mantidos em campos militares da ocupação, bem como detidos do Líbano e da Síria.
O articulista deve ter visto o vídeo do palestino sendo violentado por soldados na prisão e ser morto tendo seu intestino perfurado pelo cano de um fuzil introduzido por um soldado israelense em seu ânus. Ainda assim, diz que “não há algo que a ditadura teocrática tema mais do que os gritos pela liberdade. Os aiatolás ficam entorpecidos de ódio quando o povo toma as ruas clamando por ela. Detestam a democracia, vista como um inimigo mortal”.
As “democracias” são excelentes. No Reino Unido, por exemplo, as pessoas sendo presas por protestarem pacificamente e ainda assim sendo processadas por terrorismo. Na Alemanha, policiais enormes atirando garotas no chão, ajoelhando em seus pescoços por um simples adereço. Bem democrático e muito respeitoso com as mulheres.
E o que as “democracias” estão fazendo? Colocando uma série de restrições na Internet para que as pessoas não vejam como elas tratam os cidadãos e a liberdade de expressão.
O senhor Rosenfield anda muito preocupado porque para os aiatolás, supostamente, “seria algo inimaginável permitir que as mulheres se vistam segundo seus gostos, que possam escolher com quem vão conviver sexualmente e/ou maritalmente”. Por falar em sexo, talvez fosse melhor para o articulista se preocupar com o fato de Ehud Barak (ex-primeiro-ministro e ex-ministro da Defesa), ser íntimo daquele agente (agora ex-agente) do Mossad que morreu suicidado na cadeia, um certo Jeffery Epstein, que tem um arquivo para lá de explosivo.
Autodeterminação e lágrimas
O colunista usa até a carta da “autodeterminação dos povos” para atacar o governo do Irã. Que tal falar dos palestinos? Também acusa o Hamas – que luta pela liberdade e devolução de suas terras surrupiadas –, de “assassinatos indiscriminados de civis, em particular mulheres, jovens e crianças”. Por isso que virou senso comum que quando um sionistas acusa está, de fato, confessando.
Adiante, lamentando, diz que o Hamas “conseguiu, em parte, alcançar os seus objetivos, ao provocar uma grande onda de antissemitismo mundial”. Na verdade, se existe onda de antissemitismo, isso é obra dos crimes cometidos contra os palestinos, um genocídio transmitido ao vivo. Décadas e bilhões de dólares utilizados para lavar a imagem de “Israel” manchada em sua atuação na Guerra do Líbano, foi tudo pelo esgoto. Como diz o rabino Yisroel Weiss, “o sionismo é o pior inimigo dos judeus”.
Após mentir, dizendo que o Hamas foi destruído, e que Gaza foi conquistada – as mais de 22 mil baixas israelenses que o digam –, Rosenfield chama os ataques terroristas com bipes que mataram crianças e pessoal de serviço médico no Líbano de “façanha tecnológica”. Fala também da “queda do ditador Assad” na Síria, mas omite que colocaram no poder um terrorista da Al-Qaeda famoso por assassinar e decapitar civis.
Em seguida, confessa que “com o apoio americano, destruiu os mais importantes sites nucleares, as lideranças militar e científica”. E, de novo, não explicou que foi um ataque traiçoeiro (para variar), pois estavam em meio a negociações. Essas pessoas não estavam em combate. Os cientistas iranianos mortos, que são civis, foram mortos com suas famílias. Quando não sabiam onde era o apartamento de um cientista, derrubaram o prédio inteiro. Eis a cara sem maquiagem dos sionistas. Cometem crimes dos mais vis e covardes e ainda se vangloriam, não têm a menor vergonha.
Contagem regressiva
Toda a coragem exibida por Rosenfield é estimulada pela presença dos Estados Unidos. No entanto, o Irã está dizimando, reduzindo a pó as bases americanas no Oriente Médio. O que os sionistas vão fazer quando faltar esse guarda-chuva?
Na Guerra dos Doze Dias, “Israel” pediu penico, implorou pelo cessar-fogo. Os iranianos avisaram que não iriam mais tolerar agressões. Estão provando que não estavam brincando.
Desta vez – não podia ser diferente –, os corajosos sionistas pediram socorro para os EUA, pois não podiam ir sozinhos para a briga. Até o momento, os iranianos, diferentemente de seus covardes agressores, não dão sinais de recuo. Sabiam que seriam agredidos e mostram que se preparam. A retaliação é extremamente contundente.




