A Burquina Fasso denunciou a existência de apoio estrangeiro na tentativa de golpe de Estado frustrada no sábado (3) contra o governo do presidente Ibrahim Traoré. Segundo as autoridades, o plano golpista incluía o assassinato de oficiais de alto posto das Forças Armadas do país.
De acordo com informações divulgadas por forças de segurança, o principal suspeito foi detido e é tratado como o suposto cérebro do complô. As autoridades informaram que a identidade do preso segue sob investigação, enquanto avançam as apurações sobre o conjunto de envolvidos.
As forças de segurança destacaram ainda a “vinculação estreita” do suspeito com o ex-chefe da junta militar Paul-Henri Sandaogo Damiba, que vive no Togo desde sua queda. Conforme a denúncia oficial, Damiba teria coordenado a operação a partir do exterior, com contatos dentro de Burquina Fasso.
Fontes locais indicaram que as investigações reuniram material descrito como “altamente incriminatório”, apontando a participação de outros atores. Parte desses envolvidos, segundo as autoridades burquinesas, já foi detida.
Outro aspecto destacado nas informações oficiais é que o plano frustrado teria incluído o assassinato do comandante da base de drones, com o objetivo de enfraquecer a segurança nacional. A partir dessa ação, os golpistas buscariam abrir caminho para a infiltração de mercenários e grupos armados situados fora do país, de modo a atacar instalações estatais estratégicas.
Em Uagadugu, capital burquinesa, manifestações de apoio ao governo foram registradas ainda na madrugada de sábado. Vídeos divulgados nas redes sociais mostraram milhares de pessoas se dirigindo ao Palácio de Governo, com o objetivo de defender Traoré diante da tentativa golpista.
As autoridades, por sua vez, fizeram um chamado à serenidade e à confiança nas instituições, afirmando que a estabilidade nacional está garantida. O episódio ocorre em meio à pressão permanente de grupos armados que buscam desestabilizar o país.
Governo nacionalista é alvo de golpe
De acordo com informações do jornal haitiano Echojounal, o governo de transição de Burquina Fasso, dirigido por uma cúpula de militares nacionalistas, confirmou, por meio de canais oficiais, ter neutralizado mais uma tentativa de golpe de Estado durante a madrugada de sábado (3). O episódio teria ocorrido durante as celebrações da Jornada do Levante Popular.
De acordo com informações apuradas pelo Echojounal, a movimentação golpista foi detectada por serviços de inteligência antes que pudesse atingir seus objetivos principais. O levante teria sido orquestrado por um grupo restrito de militares que visavam pontos estratégicos da capital.
O veículo destaca que a ação rápida das unidades de elite foi crucial para manter o Capitão Ibrahim Traoré no poder. Em comunicado reproduzido pela fonte, as autoridades foram enfáticas sobre a gravidade das intenções dos envolvidos:
“Estes indivíduos projetavam mergulhar a nação no caos atacando o coração da Transição.”
A tentativa de derrubada do governo envolveu o que a Direção de Comunicação da Presidência descreveu como um “grupúsculo de oficiais e suboficiais”. Segundo o Echojounal, o complô foi desmantelado graças à intervenção imediata de forças fiéis ao regime, resultando na prisão de diversos suspeitos.
Echojounal também recorda que, desde que assumiu o comando em setembro de 2022, o Capitão Traoré tem enfrentado desafios constantes à sua autoridade, frequentemente atribuindo essas tentativas a “servos locais do imperialismo” que tentam sabotar a soberania do país e a Aliança dos Estados do Sael (AES).
A tentativa de golpe ocorreu quando o país se preparava para celebrar o aniversário da queda de Maurice Yaméogo em 1966.




