O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi internado na manhã desta sexta-feira (13) na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital DF Star, em Brasília, com diagnóstico de broncopneumonia bacteriana bilateral de provável origem aspirativa. Segundo boletim médico divulgado pela unidade, ele apresentou febre alta, queda da saturação de oxigênio, sudorese e calafrios, e está em tratamento com antibióticos por via venosa e suporte clínico não invasivo.
De acordo com os médicos que acompanham Bolsonaro, o quadro é o mais grave entre as pneumonias já enfrentadas por ele. Em entrevista a jornalistas, o cardiologista Brasil Caiado afirmou que esta foi a “maior pneumonia” já registrada no histórico do ex-presidente. Segundo ele, a infecção está mais acentuada no pulmão esquerdo e tem relação com comorbidades como esofagite, gastrite e refluxo gastroesofágico, que podem levar à broncoaspiração.
A equipe médica informou que, apesar de Bolsonaro estar estável, o caso exige cuidado especial. O médico Claudio Birolini declarou que uma pneumonia aspirativa pode evoluir para insuficiência respiratória e representar risco de morte se não houver intervenção. Já o cardiologista Leandro Echenique afirmou que não há prazo definido para alta da UTI e que a recuperação tende a ser mais lenta em razão da gravidade do quadro e das condições clínicas anteriores do paciente.
Segundo os médicos, o tratamento deverá durar entre sete e 14 dias, mas o tempo de internação dependerá da resposta ao antibiótico. Bolsonaro está consciente, conversa com a equipe, faz fisioterapia e não precisou ser intubado. A rapidez no deslocamento ao hospital, segundo os próprios médicos, foi decisiva para evitar um agravamento ainda maior do quadro.
O atendimento começou ainda na prisão. Bolsonaro, que está detido no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a chamada Papudinha, foi examinado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) por volta das 8h, com quadro clínico sugestivo de pneumonia e queixa de falta de ar. Depois disso, foi levado ao DF Star em uma operação conjunta do Samu, do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar do Distrito Federal. De acordo com a PM, ele passou mal durante a madrugada na cela e foi transferido imediatamente após avaliação da equipe médica de plantão.
Ao chegar ao hospital, Bolsonaro recebeu oxigênio por cateter nasal e foi submetido a tomografia e exames laboratoriais. O diagnóstico apontou broncopneumonia bacteriana nos dois pulmões, associada à aspiração de conteúdo gástrico. Os médicos relacionaram esse quadro aos episódios recorrentes de soluço e refluxo que o ex-presidente apresenta desde a facada sofrida durante a campanha de 2018.
Após a internação, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) visitou o pai e afirmou que ele estava consciente e lúcido, mas com a voz fraca e abatido. Segundo Flávio, nunca houve tanto líquido no pulmão do ex-presidente e esse material teria vindo do estômago em razão da broncoaspiração. O senador também declarou que a situação pode evoluir para uma infecção maior e defendeu novamente a transferência de Bolsonaro para prisão domiciliar.
O advogado Paulo Cunha Bueno reforçou o mesmo pedido. Em nota, afirmou que a defesa insiste na necessidade de custódia domiciliar diante de um quadro de saúde que exige cuidados permanentes e que, segundo ele, não poderiam ser plenamente assegurados em ambiente prisional.
A internação aconteceu 10 dias depois da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal formar maioria para manter Bolsonaro preso. A defesa havia pedido prisão domiciliar sob o argumento de que a Papudinha não teria estrutura suficiente para os atendimentos médicos necessários. O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, rejeitou o pedido e afirmou que o estabelecimento atende às necessidades do ex-presidente, com assistência médica contínua, fisioterapia, atividade física, assistência religiosa e visitas frequentes de familiares e aliados políticos.
Na decisão, Moraes também lembrou que Bolsonaro voltou ao sistema prisional depois de tentar violar a tornozeleira eletrônica enquanto cumpria prisão domiciliar. Ele está preso desde 22 de novembro e cumpre pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado.
Durante a internação, Moraes autorizou que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro permaneça como acompanhante no hospital e também liberou visitas dos filhos Flávio, Carlos, Jair Renan e Laura. Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos.
Bolsonaro tem 70 anos e completa 71 em 21 de março. Desde a facada de 2018, passou por várias cirurgias e vem registrando aumento no número de internações. Segundo os médicos, esta é a terceira pneumonia que ele enfrenta e a sexta vez que é internado no DF Star desde abril do ano passado.





