O Banco Central do Brasil formalizou nesta quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A., conhecida comercialmente como Will Bank. A decisão, assinada pelo presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, encerra um período de incertezas que se arrastava desde novembro de 2025, quando a instituição foi colocada sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET). Na época, o Banco Central optou por manter o braço digital em funcionamento na esperança de atrair investidores e concretizar uma venda que preservasse os ativos, mas a deterioração financeira acelerada tornou a continuidade do negócio inviável para o Sistema Financeiro Nacional.
O ponto de ruptura definitivo ocorreu no último dia 19, quando o Will Bank não conseguiu honrar sua grade de pagamentos junto à Mastercard. O descumprimento levou a bandeira de cartões a bloquear imediatamente a participação da financeira em seu arranjo de pagamentos, suspendendo todas as transações de cartões emitidos pela instituição. Sem a capacidade de processar compras e movimentações de seus clientes, o Banco Central avaliou que a insolvência era irreversível, citando o comprometimento crítico da situação econômico-financeira e o vínculo direto de controle com o Banco Master, que já se encontra em processo de liquidação.
Com o decreto de liquidação, o Will Bank é oficialmente retirado do sistema financeiro e suas atividades são interrompidas. Conforme determina a legislação vigente, os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição ficam indisponíveis para garantir futuros ressarcimentos. O processo agora passa para as mãos de um liquidante nomeado pelo BC, que terá a responsabilidade de inventariar o patrimônio e organizar a fila de credores. O impacto dessa queda atinge também outras instituições, como o Banco de Brasília (BRB), que possui cerca de 1,75 bilhão de reais em ativos vinculados ao Will Bank; agora, uma análise técnica e jurídica definirá se esses valores pertencem ao banco estatal ou se serão utilizados para abater as dívidas do grupo liquidado.
Para os investidores, a liquidação aciona o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que enfrentará o maior desafio de sua história. O fundo deverá desembolsar aproximadamente 40,6 bilhões de reais para ressarcir cerca de 800 mil investidores que possuíam títulos garantidos pelo conglomerado Master, respeitando o limite de 250 mil reais por CPF. Enquanto o ressarcimento é organizado, o Banco Central e a Polícia Federal continuam a apurar as responsabilidades pelas fraudes contábeis e pela criação de ativos sem lastro que originaram a crise. O colapso do Will Bank marca a sexta intervenção direta relacionada ao caso Master.



