Os bancos que atuam no Brasil registraram lucro líquido de R$ 255 bilhões em 2025, o maior já alcançado pelo sistema bancário brasileiro. O desempenho ocorreu em um cenário marcado pela taxa Selic em 15% ao ano, o maior patamar dos últimos anos, bem como a maior taxa real de juros do mundo.
O resultado exorbitante também ocorreu em um sistema altamente monopolizado: os quatro maiores bancos do País controlam quase 60% do mercado de crédito brasileiro.
Além disso, o lucro recorde foi precedido de uma redução do quadro de funcionários e da rede de atendimento. Segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, desde 2020 o setor fechou 31,3 mil postos de trabalho, dos quais cerca de 25 mil eram ocupados por mulheres.
Houve também queda no número de agências bancárias nos últimos 10 anos: a quantidade de unidades foi reduzida em 37%, para pouco mais de 14 mil em todo o País. Desde 2015, 638 municípios perderam suas agências bancárias, deixando aproximadamente 6,9 milhões de pessoas sem atendimento bancário local, segundo dados do DIEESE.
Em um cenário em que os bancos ampliaram significativamente seus ganhos, milhões de brasileiros seguem endividados, dependendo de empréstimos, financiamentos e do cartão de crédito para conseguir arcar com despesas correntes.
Embora em 2026 a Selic tenha sido reduzida para 14,25%, o crédito permanece super caro para o povo brasileiro. Modalidades amplamente utilizadas pela população, como o crédito rotativo do cartão de crédito e o cheque especial, apresentaram taxas exorbitantes, superiores a 400% e 1000% ao ano, respectivamente.
A combinação de juros elevados, crédito caro e crescente endividamento ajuda a explicar por que o sistema financeiro registrou ganhos recordes mesmo em um contexto de perda do poder de compra e aumento do custo de vida para grande parte da população brasileira.
Quanto mais os bancos e a burguesia enriquecem, mais a população empobrece, é assim que a coisa funciona. Por isso, os grandes jornais burgueses fizeram tanta campanha para a “independência” do Banco Central, que de independente não tem nada, está sob controle dos banqueiros que mantêm os juros nas alturas e ficam parasitando tudo o que produz cada brasileiro.




