Neste sábado (28), o Espaço Comendador Pereira Queiroz, localizado na Casa de Portugal, recebeu militantes e ativistas que atenderam ao chamado do Partido da Causa Operária (PCO) para um ato em defesa da República Islâmica do Irã. A manifestação, convocada durante semanas, coincidiu com o ataque surpresa do imperialismo e do sionismo contra a nação persa, e acabou se tornando uma tribuna de denúncia contra os crimes do imperialismo.
No início do ato, os organizadores exibiram um vídeo inédito sobre as recentes manifestações golpistas promovidas pelo Mossad e pela CIA em território iraniano. O vídeo, produzido pela Causa Operária Produções, mostrou várias imagens das vítimas e da destruição causada pelos grupos golpistas.
Logo após o vídeo, os organizadores executaram o hino nacional do Irã e chamaram os integrantes da mesa: Antonio Carlos Silva, da Direção Nacional do PCO, André Constantine, do Movimento Revolucionário Carlos Marighella, e Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO.
O primeiro a falar, André Constantine, iniciou sua fala denunciando o cerco imperialista aos países oprimidos. O militante destacou o caso de Cuba, ilha que se encontra praticamente sem combustível há semanas, graças à intensificação do bloqueio realizado pelo governo norte-americano.
Após Constantine, a tribuna foi aberta a três manifestantes, que discursaram antes dos demais integrantes da mesa.
O primeiro deles, João Jorge Caproni Costa Pimenta, da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR), subiu ao palco para fazer um balanço da luta de classes no Brasil diante da ofensiva do imperialismo.
Para João Pimenta, a agressão imperialista ao Irã serve como um divisor de águas que expõe a hipocrisia de setores que se dizem progressistas, mas que, na prática, são porta-vozes da CIA.
“Esses setores, para eles, todos os países que se opõem ao imperialismo são ruins. Bom, mesmo, devem ser os Estados Unidos da América”, ironizou.
O jovem dirigente, então relembrou que o presidente Lula sempre se orgulhou de dizer que, em seu governo, o Brasil falava “grosso” com os Estados Unidos e “fino” com os países menores, como a Bolívia. No entanto, o cenário atual seria o oposto.
“Infelizmente, o governo atual está falando grosso com a Venezuela e com o Irã e falando fino com os Estados Unidos”, denunciou o orador, sob aplausos. Para ele, essa postura representa uma traição às promessas de campanha e aos anseios de quem ajudou a eleger o atual governo esperando uma política externa altiva e anti-imperialista.
João Pimenta defendeu que não basta apenas reformar a política externa, mas é preciso “pôr abaixo toda a política vigente no sistema brasileiro” para estabelecer uma nova forma de mobilização e um novo regime. Ele conclamou o governo a reverter imediatamente suas posições internacionais e a declarar apoio incondicional àqueles que estão no campo de batalha contra o imperialismo, citando nominalmente a Rússia, a resistência palestina, o Irã e a China.
Ele também trouxe para o debate a situação de Nicolás Maduro, classificando a ação norte-americana contra o presidente venezuelano como um “sequestro” realizado por um “regime mafioso”.
“Esse sequestro, infelizmente, não teve uma condenação expressa e sistemática por parte do nosso governo.”
Encerrando sua intervenção, o representante da AJR reafirmou o compromisso da juventude revolucionária com a causa iraniana e com todos os trabalhadores do mundo. Ele concluiu sua fala gritando:
“Abaixo o imperialismo americano! Viva a soberania dos povos!”
Vindo diretamente de Pernambuco, Victor Assis discursou como representante dos comitês de luta.
Assis iniciou sua fala saudando a resistência dos povos cubano e palestino, conectando-as diretamente à luta iraniana. Ele enfatizou que o momento exige clareza política para identificar o inimigo real:
“Nós estamos aqui diante de uma briga com o imperialismo de conjunto. Não é com governo A ou governo B, não é apenas com Trump, não é apenas com o Partido Democrata.”
Segundo ele, a coordenação entre a ofensiva militar norte-americana e as sanções econômicas da União Europeia prova que o bloco imperialista atua como um bloco único contra qualquer nação oprimida.
O dirigente pernambucano alertou para a gravidade do momento, afirmando que a humanidade assiste a uma “guerra que está em marcha”. Para Victor Assis, a agressão de hoje pode ser o estopim de uma conflagração ainda maior, o que torna a omissão um erro histórico. Ele argumentou que a força para barrar essa máquina de guerra não virá de negociações de cúpula ou de grupos isolados, mas da entrada em cena das massas.
A parte final da intervenção de Victor Assis foi um chamado direto à organização. Ele defendeu que a tarefa urgente no Brasil passa pelo fortalecimento dos comitês de luta e das organizações de base. Para ele, essas entidades devem ser o ponto de encontro entre militantes experientes e aqueles que nunca participaram de uma campanha política, mas que sentem a urgência do momento.
Representando o Comitê Estadual de São Paulo, Uriel Roitman explicou que os bombardeios em pleno Ramadã não são apenas crimes de guerra, mas a prova da “canalhice sanguinária” de um imperialismo que não respeita tradições nem vidas humanas, assassinando mulheres e crianças em escolas para tentar dobrar uma nação soberana.
Uriel destacou que sua geração, a juventude atual, não viveu os grandes embates épicos do século passado, mas que agora tem a honra e o dever de testemunhar e apoiar a resistência contemporânea.
“Nós somos honrados em ver hoje os combatentes do Hamas, os países como o Irã e especialmente o Irã, que é o pilar do eixo de toda a resistência no Oriente Médio. São um exemplo de luta revolucionária”, afirmou sob aplausos.
dirigente destacou a resiliência do povo iraniano, que suporta décadas de cerco e agressões sem recuar. Ele citou com indignação as notícias de um bombardeio a uma escola feminina que resultou na morte de mais de 100 mulheres, ressaltando que, apesar do horror, “o Irã se mantém firme”. Para Roitman, essa firmeza não é obra do acaso, mas de uma “tradição revolucionária” que deve servir de bússola para o dia a dia da militância brasileira.
Um dos pontos centrais da fala de Roitman foi a convocação para uma ofensiva de agitação e propaganda no Brasil. Ele defendeu que o ato era apenas o início de uma tarefa muito maior:
“Nós precisamos sair daqui e fazer uma grande campanha de propaganda em defesa do Irã no Brasil. Precisamos imprimir materiais, distribuir, divulgar nas redes sociais.”
Depois da fala de Uriel Roitman, o ato prosseguiu para sua penúltima fala.
Em um discurso marcado pela denúncia da paralisia da esquerda institucional e pela defesa intransigente da soberania dos povos, Antônio Carlos, vice-presidente do PCO, trouxe para o ato uma análise tática sobre os métodos de agressão do imperialismo. Para o dirigente, os ataques recentes contra a República Islâmica do Irã são a prova cabal de que, quando as manobras diplomáticas e as “revoluções coloridas” falham, o capital financeiro internacional não hesita em recorrer à guerra aberta e sanguinária. Segundo o dirigente, o exemplo iraniano mostra que a única resposta possível é a preparação para o combate, e não a submissão.
Um dos eixos mais contundentes da fala de Antônio Carlos foi a crítica direcionada ao governo Lula e à esquerda nacional. Ele classificou como “vergonhosa” a postura de capitulação diante do imperialismo Relembrando o histórico recente, o vice-presidente do PCO lamentou que, enquanto o mundo vê povos se levantarem bravamente — como na Palestina, na Rússia e em nações africanas que expulsam governos submissos —, o Brasil parece caminhar na contramão.
“No momento em que os povos do mundo inteiro enfrentam essa situação, o governo brasileiro vem na contramão dessa política, vem se colocando numa política de capitulação vergonhosa”, denunciou. Ele criticou duramente a busca por um “clima de entendimento” com figuras como Donald Trump, afirmando que a liberdade não se conquista com “tapinha nas costas”, mas com a força das massas nas ruas.
Para Antônio Carlos, a verdadeira força de um regime não reside em seus mísseis, mas no apoio de sua população. Ele citou as manifestações gigantescas ocorridas no Irã para celebrar os 47 anos da revolução como o exemplo máximo de resistência. “O povo mostrou as armas mais poderosas do mundo; mais poderosas do que qualquer míssil ou qualquer bomba, que é o povo nas ruas”, defendeu.
O dirigente também estabeleceu um paralelo direto com a situação política interna do Brasil. Ele alertou que a política de “ficar de quatro” diante do imperialismo e do judiciário nacional não apenas desmobiliza a base, mas abre caminho para a direita.
Antônio Carlos encerrou sua intervenção denunciando a perseguição política sofrida pelos defensores da causa palestina no Brasil. Ele mencionou os processos abertos contra sindicatos e lideranças — como o caso da APEOESP e do próprio Rui Costa Pimenta — como uma extensão da política imperialista dentro das fronteiras brasileiras.
No discurso principal, Rui Pimenta criticou o que chamou de “otimismo infundado” de setores da esquerda que acreditam em uma transição pacífica para a “multipolaridade”. Segundo ele, o imperialismo foi empurrado para uma posição defensiva pelas vitórias populares no Iraque, no Afeganistão e pela intervenção russa contra a OTAN, mas isso não significa que o inimigo esteja completamente derrotado. Pelo contrário, Rui afirmou que “o imperialismo é uma ditadura mundial e não pode se dar ao luxo de ceder terreno para nenhum país oprimido”, o que explica a agressividade atual.
O presidente do PCO defendeu que a resistência palestina, que ganhou novos contornos após o 7 de outubro, só é possível graças ao suporte logístico e político da República Islâmica.
“Sem o Eixo da Resistência, a luta dos palestinos contra o sionismo jamais teria atingido o ponto que atingiu”, declarou.
Rui foi claro ao estabelecer uma linha divisória para a esquerda mundial:
“Não é possível defender o povo palestino sem defender o Irã. Quem não defende o Irã não defende o povo palestino.”
Para ele, uma derrota iraniana significaria o esmagamento de toda a resistência popular na região, abrindo caminho para o estabelecimento de “ordens democráticas” de fachada, compostas por monarquias reacionárias e governos títeres do imperialismo, como os da Arábia Saudita e da Jordânia.
Sobre o governo Lula, Pimenta criticou sua “capitulação vergonhosa”. O dirigente ironizou a aliança desses setores com o chamado “imperialismo democrático” sob o pretexto de combater o fascismo. Ele apontou a hipocrisia de líderes europeus e de apoiadores do governo que condenam o Irã enquanto se alinham a Donald Trump na repressão aos povos oprimidos.
“Onde é que foi parar a luta entre a democracia e o fascismo? Ela foi enterrada pela ação dos povos na luta pela liberdade”, fustigou Pimenta. Ele argumentou que o fascismo não possui existência independente, sendo apenas um “braço do imperialismo para esmagar a resistência dos povos”
Rui Costa Pimenta concluiu seu pronunciamento elevando o tom moral da campanha. Ele saudou as notícias de baixas nas forças norte-americanas e o ataque às bases militares no Golfo como um “debilitamento do monstro imperialista”, mas alertou que a militância brasileira não pode se limitar à torcida.
Ao convocar um novo ato público, desta vez em ambiente aberto e massificado, Pimenta definiu a tarefa do momento como uma “obrigação sagrada”. Ele exigiu que o governo Lula abandone a postura de “neutralidade” e se posicione claramente ao lado do Irã e dos países do BRICS contra a agressão estrangeira.
“A partir de amanhã, temos que estar nas ruas. O Irã é a nossa bandeira nesse momento.”





