A manifestação convocada em defesa da Venezuela ocorrida nesta quarta-feira (28), em São Paulo, expôs de maneira cristalina porque a política da esquerda pequeno-burguesa em relação à Venezuela tem sido um fracasso total. Após quase um mês do sequestro do presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, a primeira tentativa de um ato supostamente unificado não conseguiu atrair nem 300 pessoas para as ruas.
O ato foi marcado para 17h em frente ao Theatro Municipal, no bairro da República. O teatro já se tornou um local tradicional para a realização de manifestações minúsculas, uma vez que não cabem milhares de pessoas, como o Vale do Anhangabaú, localizado a poucos metros dali.
A quantidade de pessoas, no entanto, não é o que determina o fracasso de uma manifestação. É possível fazer um ato com poucas pessoas, mas que seja combativo, que aponte o caminho da mobilização, que aponte uma perspectiva política.
O ato foi convocado por cerca de 20 organizações. Ele foi, ainda convocado pela Frente Brasil Popular, coalizão que reúne quase uma centena de organizações, incluindo o maior partido do País, o Partido dos Trabalhadores (PT), e a maior central operária da América Latina, a Central Única dos Trabalhadores (CUT). Desse ponto de vista, ter reunido menos de 300 pessoas é um vexame total. Revela, acima de tudo, a falta de compromisso das organizações envolvidas com a defesa do povo venezuelano.
Entre os presentes, estavam as mesmas organizações da “esquerda pimpolha” que compunham a Frente Palestina São Paulo e que ajudaram a sabotar a luta contra o genocídio na Faixa de Gaza.
Os representantes das organizações que estavam lá não tiveram capacidade de denunciar o imperialismo pelo crime cometido contra a Venezuela. Todos procuraram dirigir os ataques à figura de Donald Trump, ignorando o restante do imperialismo mundial, que apoia toda a operação. Alguns aproveitaram ainda para atacar o governo Lula.
O mais grotesco, no entanto, foi o discurso do representante do Movimento Revolucionário dos Trabalhadores (MRT), que chegou a afirmar que Maduro não podia ser apoiado por supostos arrochos contra a população e que teria promovido algum tipo de “repressão contra o povo”. No fim das contas, mais uma demonstração da falência dessas organizações da esquerda pequeno-burguesa, que com suas dezenas de partidos, movimentos sociais e centrais sindicais de brinquedo, não conseguem convocar um ato de rua que seja com tamanho razoável.
O ato contrasta em absoluto com a manifestação realizada pelo Partido da Causa Operária (PCO) em 11 de janeiro. A manifestação, embora tenha sido aberta a todos os interessados, foi boicotada pela maioria das organizações de esquerda. Ainda assim, foi superior numericamente e muito superior politicamente, trazendo palavras de ordem combativas, bateria e bandeiras que defendiam de maneira explícita a luta anti-imperialista.





