O MRT (Movimento Revolucionário de Trabalhadores) publicou no sítio Esquerda Diário mais uma matéria que, no final das contas, atende os interesses do imperialismo. No artigo Protestos massivos percorrem o Irã apesar da repressão que deixou mais de 500 mortos, a falsificação começa já no título, pois o número de mortos está sendo repetido na imprensa burguesa. Além disso, os agentes do Mossad e da CIA são responsáveis por um grande número de mortos, mas o MRT prefere culpar o governo.
No início do texto, o MRT se concentra na crise econômica. Escreve que “desde o fim do ano vêm ocorrendo grandes mobilizações em Teerã, a capital iraniana, e em outras cidades do país, que já se converteram no maior desafio ao regime teocrático desde a explosão social de 2022. O estopim foi uma nova desvalorização de 16% da moeda nacional, o rial, no mês de dezembro, que impacta diretamente nos preços de produtos básicos como os alimentos, que em 2025 tiveram em média um aumento de 75%”.
A desestabilização econômica é uma das táticas do imperialismo. Sob ataque, os governos de países sancionados são muitas vezes obrigados a tomar medidas que acabam penalizando a população. Na verdade, essa é a justificativa. Os defensores dos embargos dizem esperar que a população desses países se revoltem e derrubem seus governos.
Trata-se de uma ingerência descarada que, a bem da verdade, tem provocado fome, mortes; e governos raramente, ou nunca, são derrubados. A baixa eficiência desse método coloca a questão do porquê se continua a utilizá-lo. O imperialismo pune as populações para demonstrar força e impor sua dominação mundial.
“Massificação”
O artigo afirma que “os comerciantes do Grande Bazar de Teerã, um gigantesco complexo comercial localizado no centro da capital, iniciaram uma greve pela eliminação dos múltiplos tipos de câmbio e contra a corrupção do regime. Mas o que começou como um protesto econômico de um setor rapidamente se massificou e se transformou em um questionamento ao conjunto das políticas de ajuste e ao regime político”.
As manifestações iniciais eram esparsas e tinham, sim, cunho econômico. A questão da corrupção não estava colocada, mas essa é questão é explorada porque sensibiliza principalmente a esquerda pequeno-burguesa, que gosta de tratar política como caso de polícia.
Quanto à “massificação”, está amplamente divulgado que isso só foi possível com a utilização de agentes infiltrados. O MRT também esconde que houve manifestações gigantes contra a brutalidade dos agentes do Mossad, e de apoio ao governo.
Omitir que as manifestações em apoio ao governo sejam muito maiores, demonstram a intenção do artigo em apenas atacar.
A falsificação do texto é evidente. Escrevem que “Como nos dias anteriores, os manifestantes resistiram à repressão policial, que já custou a vida de pelo menos 500 pessoas e deixou mais de 10.000 detidos. Além disso, neste último dia de protestos, o regime cortou a internet em todo o país e grande parte das comunicações com o objetivo de interromper o fluxo de informações e as eventuais coordenações que os manifestantes pudessem fazer pelas redes sociais”.
De início, é preciso esclarecer que os “manifestantes” estavam ali em troca de pagamento. Depois, o número de mortos e feridos não são confirmados, são basicamente repetidos na grande imprensa. O corte da internet foi fundamental para desmantelar o sistema de informação dos grupos de agitadores, que foram rapidamente contra-atacados pelo governo, que passou a controlar a situação.
Nobel, mais um…
O MRT diz que “a Nobel da Paz Shirin Ebadi alertou que o apagão poderia facilitar um massacre. Organizações de direitos humanos e a ONU exigiram uma investigação independente e o respeito ao direito de protesto pacífico. Ainda assim, viralizaram alguns vídeos em que se pode ver a brutalidade policial, por exemplo atacando um hospital onde algumas pessoas tentaram se refugiar”.
Exigir investigação “independente” só pode ser piada. Essas “organizações de direitos humanos” não têm nenhuma credibilidade, recebem dinheiro da CIA ou fundações que também não passam de fachada.
Quanto à Nobel da Paz, todos sabem que esse é um prêmio político. Qualquer meliante pode receber esse prêmio. Barack Obama o recebeu, e até María Corina Machado, a vende-pátria venezuelana, foi contemplada.
Enquanto na União Europeia se espanca pessoas por portarem algum lenço ou adereço que lembre a Palestina; e, no Reino Unido, colocaram mais de 14 mil pessoas na cadeia por se manifestarem em favor da Resistência, no artigo se lê que no Irã “a repressão não é novidade: no marco de um regime teocrático e ditatorial, em 2022, quando eclodiu a última grande onda de protestos após o assassinato de Mahsa Amini pelas mãos da ‘polícia da moral’ por usar o hijab de forma considerada incorreta, o regime desencadeou uma onda de violência semelhante”.
Embora o artigo faça uma crítica aos Estados Unidos, o teor é o mesmo dos outros que têm circulado na imprensa dita de esquerda: atacar o regime que luta de forma consequente contra o imperialismo. E isso, em última análise, não passa de um apoio aos agressores do Irã.





