Nesta terça-feira (20), o Comitê de Segurança Nacional e Política Externa do Conselho da Shura do Irã alertou que qualquer ação visando o Líder da Revolução Islâmica e da República Islâmica, Saied Ali Khamenei poderia levar a uma guerra total.
O alerta veio em resposta às ameaças feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra Khamenei, de acordo com o comitê. Em um comunicado, o comitê afirmou que a ameaça ocorreu após múltiplas derrotas sofridas pelos Estados Unidos nas mãos do povo iraniano, incluindo a derrota durante a “guerra de 12 dias” e o fracasso do que descreveu como “atividades terroristas realizadas de maneira semelhante ao Estado Islâmico”.
O comitê alertou que um ataque ao líder do Irã seria considerado uma declaração de guerra à comunidade muçulmana, alertando que estudiosos islâmicos poderiam emitir um decreto religioso convocando a jihad e que os “soldados do Islã” responderiam em todo o mundo. Acrescentou que os interesses militares, econômicos e políticos dos Estados Unidos ao redor do mundo seriam alvejados, afirmando que os Estados Unidos devem esperar retaliação, sendo responsável pela morte de milhares de iranianos, e pedindo prestação de contas.
Em uma entrevista ao POLITICO em 17 de janeiro, Trump fez uma ameaça direta contra o líder do Irã, pedindo abertamente por uma mudança de regime no país, ao dizer ao veículo de notícias: “é hora de procurar uma nova liderança no Irã”.
Nesta terça-feira (20), o presidente iraniano Masoud Pezeshkian já havia alertado que qualquer ataque a Khamenei, seria considerado um ato de guerra contra a nação iraniana. Pezeshkian enfatizou que atingir Khamenei cruzaria uma “linha vermelha” de longa data na doutrina de dissuasão do Irã.
Ele também vinculou as dificuldades econômicas do país à campanha de “pressão máxima” dos Estados Unidos, afirmando que as provações enfrentadas pelo povo iraniano são, em grande parte, resultado de uma “inimizade de longa data e sanções desumanas impostas pelo governo dos Estados Unidos e seus aliados”.
As observações de Pezeshkian ocorreram dias após fontes diplomáticas informarem à emissora libanesa Al Mayadeen que uma fonte regional amiga havia comunicado que os Estados Unidos haviam recuado nos planos de realizar ataques militares contra o Irã. Segundo a fonte, a decisão seguiu uma revisão dos Estados Unidos sobre avaliações militares e de segurança, incluindo análises das prováveis consequências de um ataque em larga escala e uma reavaliação das condições de segurança interna dentro do Irã.
As fontes disseram que Trump concluiu, por fim, que as condições domésticas no Irã haviam mudado em favor do governo, reduzindo a viabilidade de uma ação militar. Apesar disso, as autoridades iranianas afirmam que permanecem em alerta total, mantendo abertos os canais diplomáticos.
O recuo ocorreu em meio a crescentes especulações de uma agressão iminente, após semanas de discursos agressivos por parte de Trump, que posteriormente moderou seu tom.
O Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC) na província de Kerman, no sudeste do Irã, anunciou que desmantelou 12 células de sabotagem e de espionagem ligadas ao “eixo EUA-Sionista”.
O IRGC informou que prendeu 14 indivíduos descritos como “líderes desses grupos terroristas”, que haviam sido abastecidos com armas, coquetéis molotov, drogas psicotrópicas e entorpecentes.




