Nas primárias democratas realizadas em 5 de fevereiro de 2026 em Nova Jersey, a ofensiva publicitária financiada pelo AIPAC contra o moderado Tom Malinowski terminou por pavimentar o caminho para a vitória de Analilia Mejia, uma candidata que denuncia abertamente as políticas de “Israel” como genocídio. Esse “tiro no pé” do lobby pró-“Israel” destaca um crescente desalinhamento entre as estratégias do grupo e o eleitorado norte-americano, cada vez mais crítico ao sionismo.
A corrida pelas primárias democratas em fevereiro de 2026 expôs as fissuras no apoio incondicional a “Israel” dentro do Partido Democrata. Malinowski, ex-congressista que defendia uma abordagem “pro-Israel” com críticas leves, como condicionar a ajuda norte-americana, foi alvo de milhões em anúncios negativos do Projeto de Democracia Unida (UDP), uma ONG que recebe financiamento ligado ao Comitê Americano de Assuntos Públicos de Israel (AIPAC), uma poderosa agremiação lobista do sionismo. No entanto, essa intervenção parece ter mobilizado eleitores progressistas, resultando na vitória de Mejia, candidata anti-sionista, por uma margem de cerca de 900 votos, enquanto a candidata Tahesha Way, a ex-vice-governadora do estado, apoiada pelo sionismo, ficou em terceiro lugar, mostrando que o apoio do AIPAC reduziu sua capacidade eleitoral. Mejia, ex-funcionária de campanha de Bernie Sanders, posicionou-se como a voz mais crítica na disputa, rotulando a guerra em Gaza como genocídio e defendendo uma reavaliação radical da política externa dos EUA em relação ao Oriente Médio.
Essa situação reflete uma tendência maior: o sionismo, outrora pilar incontestável da política norte-americana, tem gerado crescente aversão entre os eleitores, especialmente devido ao financiamento público do que muitos eleitores já percebem como um genocídio em Gaza. Pesquisas recentes indicam que os contribuintes norte-americanos estão cada vez mais incomodados com os bilhões de dólares enviados anualmente a “Israel”, financiados por impostos, enquanto imagens de destruição em Gaza circulam amplamente nas redes sociais. Uma pesquisa da Pew Research Center de outubro de 2025 mostrou que 59% dos norte-americanos têm uma visão desfavorável do governo israelense, um aumento de oito pontos percentuais em relação ao início de 2024. Essa rejeição é ainda mais pronunciada entre democratas, com 70% afirmando que “Israel” foi longe demais, de acordo com uma sondagem da Associated Press-NORC de setembro de 2025.
O desconforto com o sionismo surge diretamente do custo humano e financeiro da guerra. Os EUA fornecem cerca de US$3,8 bilhões anuais em ajuda militar a “Israel”, valor que subsidia ações que resultaram em dezenas de milhares de mortes em Gaza desde outubro de 2023. Uma pesquisa do Gallup de julho de 2025 revelou que apenas 32% dos norte-americanos aprovam a ação militar “israelense” em Gaza, o menor índice registrado, com 60% em oposição. Entre os democratas, o apoio despencou para apenas 12%, impulsionado pela percepção de que os impostos estão bancando um conflito visto como desumano e genocida. Uma enquete da Quinnipiac University de setembro de 2025 apontou que apenas 47% dos eleitores registrados acreditam que o apoio a “Israel” serve aos interesses nacionais dos EUA, uma queda drástica de 69% em dezembro de 2023.
Essa aversão se estende ao AIPAC, cuja propaganda agressiva tem sido rotulado como “tóxico” pelos eleitores. O envolvimento do grupo em campanhas eleitorais agora prejudica candidatos moderados, alienando um eleitorado jovem do Partido Democrata. Uma pesquisa da The Economist de agosto de 2025 mostrou que 44% dos eleitores americanos acreditam que “Israel” está cometendo genocídio em Gaza, com 68% dos democratas concordando.
O caso de Nova Jersey serve como alerta para o AIPAC e defensores do sionismo: quem for apoiado pelas ONGs sionistas se afasta do eleitorado, por mais cara que seja a campanha, especialmente em um momento em que 43% dos norte-americanos apoiam a diminuição da ajuda militar, como indicado pela pesquisa da The Economist.




