O governo argelino acusou a França de autorizar agressões contra o país do norte da África, após a exibição de um documentário na televisão pública francesa que descreveu como “mentiras e fabricações”.
Na última quinta-feira (22), a estatal France 2 lançou uma reportagem intitulada Rumores e Truques Sujos: A Guerra Secreta entre França e Argélia, mostrando supostas campanhas secretas de intimidação, influência e desinformação por parte das autoridades argelinas contra a França.
Em um comunicado no sábado (24), o Ministério das Relações Exteriores da Argélia afirmou ter convocado o encarregado de negócios da Embaixada da França em Argel para protestar contra o que é “abusivamente apresentado como um documentário, mas que, na realidade, nada mais é do que um emaranhado de inverdades profundamente ofensivas e desnecessariamente provocativas”.
O ministério informou que alertou o diplomata francês sobre a “extrema gravidade” de uma escalada de conduta “anti-argelina” e enfatizou que a Argélia “reserva-se o direito de tomar as medidas de acompanhamento que a seriedade de tais atos possa exigir”.
As relações entre Argélia e França são tensas há muito tempo devido ao domínio colonial francês de 1830 até a independência argelina em 1962. Nos últimos anos, os dois países também entraram em conflito frequentemente por conta de políticas de migração e do apoio da França à posição de Marrocos sobre o território disputado do Saara Ocidental — uma região que a Argélia apoia há muito tempo em sua busca por independência.
A disputa mais recente ocorre semanas após os legisladores argelinos aprovarem uma lei contra os crimes coloniais franceses. A nova legislação exige que a França ofereça um pedido de desculpas e reparações pelas atrocidades, incluindo testes nucleares, execuções extrajudiciais, tortura física e psicológica, e o saque sistemático de recursos durante os seus 132 anos de dominação sobre o país.





