Nas últimas semanas, vários canais de notícias, principalmente as redes sociais, mantiveram uma especulação frenética a respeito da morte do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, juntamente com seu ministro de Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir.
Durante vários dias, as duas lideranças deixaram de aparecer na imprensa e de dar declarações oficiais. Em uma ou outra aparição em vídeos, constatou-se que se tratava de cenas fabricadas por inteligência artificial, o que aumentou a incerteza sobre se os dois teriam sido atingidos por mísseis iranianos e estariam mortos.
A simples especulação de milhões de pessoas sobre se Netaniahu e Ben-Gvir estavam ou não mortos mostrou o nível de ódio que nutre a população mundial por essas duas figuras. Nas redes sociais, por exemplo, praticamente todos os comentários em relação ao tema eram de que, se confirmadas as mortes, o mundo deveria comemorar.
Por outro lado, o fato de que havia a possibilidade de mísseis iranianos terem atingido o principal representante do genocídio em Gaza e no Líbano, e que se considera a maior força militar – apoiada pelo imperialismo – no Oriente Médio, demonstra a fraqueza de “Israel”.
No entanto, neste domingo (22), as duas lideranças israelenses apareceram em público visitando dois locais em “Israel” – Arad e Dimona, sul da Palestina ocupada – que foram destruídos por mísseis e drones do Irã na noite anterior, no sábado (21). Além disso, aparecem em locais que foram atacados, ou seja, dificilmente seriam alvo novamente do eixo da resistência do Irã.
As aparições de Netaniahu e Ben-Gvir também serviram como termômetro de como anda a popularidade dessas duas figuras. Uma mulher que conseguiu romper o esquema de segurança para falar com Ben-Gvir gritou: “você é responsável por todas essas mortes. Saia da minha cidade, judeu-nazista. Você é um nazista”. Outros cidadãos presentes no local reagiram da mesma forma e com os mesmos xingamentos. A indignação popular foi relatada por vários meios de comunicação sionistas.
No sábado, uma onda de protesto reunindo centenas de pessoas contra a guerra aconteceu na Praça Habima, em Telavive. Entre os manifestantes, estavam muitos membros dos partidos Hadash, Maki e Banki, incluindo deputados.
Simultaneamente, manifestações e vigílias de protesto ocorreram em Jerusalém, Haifa, Bersebá, no cruzamento de Ma’on, na Faixa de Gaza, na Rua Namir, em Ramat Hasharon, em Zikhron Yaakov, no cruzamento de Tzemach, em Karkur e em outros locais.
De acordo com uma fonte local, os manifestantes na Praça Habima entoavam cânticos como “pilotos, parem os bombardeios, basta de assassinatos em massa” e “não vamos morrer e não morreremos a serviço dos EUA”. Vários manifestantes pintaram as palmas das mãos de vermelho.
Segundo a mesma fonte, Nirit Ben Horin, presidente da organização Pais Contra a Detenção de Crianças, disse ao jornal Haaretz: “acho que esta é uma guerra de escolha. Não acredito nos seus objetivos e não acho que seja necessária, pois produz mortes e destruição por toda a região”.


