Esportes

Após campanha histérica, jogador de futebol é suspenso por 12 jogos

Imprensa iniciou campanha contra Gustavo Marques, do Bragantino, devido a fala em entrevista

O zagueiro Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino, foi condenado na última quarta-feira (4) pelo Tribunal de Justiça Desportiva do Estado de São Paulo (TJD-SP) a uma suspensão de 12 jogos e ao pagamento de multa de R$30 mil. A punição decorre de declarações feitas pelo jogador após a derrota do Bragantino por 2 a 1 para o São Paulo, nas quartas de final do Campeonato Paulista, no último dia 21.

Na saída do campo, em entrevista à TNT Sports, Gustavo criticou a Federação Paulista de Futebol por ter escalado a árbitra Daiane Muniz para a partida: “primeiramente, eu quero falar da arbitragem porque não adianta a gente jogar contra São Paulo, Palmeiras, Corinthians e eles colocarem uma mulher para apitar um jogo desse tamanho”, disse o zagueiro, acrescentando que a árbitra “acabou com o jogo” do Bragantino.

“Era o sonho da gente chegar à semifinal ou até à final, mas ela acabou com o nosso jogo. Eu acho que a Federação Paulista tem que olhar para os jogos desse tamanho e não colocar uma mulher. Todo respeito às mulheres do mundo, eu sou casado, eu tenho minha mãe, então desculpa se estou falando alguma coisa para as mulheres”, afirmou.

Ainda na noite do jogo, Gustavo voltou à zona mista para se retratar publicamente.

“Quero vir aqui a público para pedir perdão para todas as mulheres pela minha fala. Eu sei que eu sou ser humano, todo ser humano erra. Naquele momento, eu estava com a cabeça quente, estava nervoso, falei coisa que eu não deveria. Também fui ali na Daiane, pedi perdão para ela. Ela estava com uma assistente, também pedi perdão para ela, porque ela também é mulher. Acho que eu errei de ter falado. Estou aqui para pedir perdão para todas as mulheres do Brasil, do mundo. Até minha mulher me xingou também já pela minha fala. Minha mãe também, todo mundo já me ligou, já falou que eu não deveria falar. Estou sendo homem, estou sendo ser humano de vir aqui pedir perdão pela minha fala. E todo ser humano erra. Então, eu vi que eu errei. Estou aqui para pedir perdão para todas as mulheres do mundo. Ela aceitou meu perdão. Falou para tomar cuidado porque tem mulheres que não vão aceitar. Ela viu que eu estava nervoso, triste e amargurado.”

O jogador foi enquadrado nos artigos 243G e 243F do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que tratam de atos discriminatórios e ofensas à honra. A suspensão de 12 jogos vale apenas para competições estaduais. O Bragantino informou que não vai comentar a decisão do TJD-SP, por já ter se manifestado anteriormente sobre o caso.

O clube, por conta própria, já havia multado o atleta em 50% do salário e o afastado da partida contra o Athletico-PR, no dia 25, pelo Campeonato Brasileiro. O valor arrecadado com a multa foi destinado à ONG Rendar.

O jogador pediu desculpas, mas não era suficiente

Gustavo Marques fez uma declaração polêmica, foi pressionado por isso, pediu desculpas quase que instantaneamente à árbitra pessoalmente e publicamente, foi multado pelo clube, afastado de uma partida e suspenso por 12 jogos. Apesar da truculência, assunto encerrado, certo? Não para a imprensa burguesa.

Uma parte da grande imprensa tratou o caso como se o pedido de desculpas fosse, em si, mais uma prova de culpa. Colunistas especializados nesse tipo de campanha, como Milly Lacombe e Walter Casagrande, consideraram a retratação “insuficiente” e passaram a exigir que o jogador se submetesse a um processo de “letramento” como condição para ser considerado redimido. Redimido por quem, não fica claro. Mas o tribunal existe, é permanente, e a sentença sempre pode ser agravada.

Essa política não tem nada a ver com a defesa das mulheres. Tem a ver com uma defesa da repressão e do aumento do poder do Estado sobre a população. O raciocínio é o seguinte: o problema da opressão da mulher se resolve quando cada homem examinar sua própria consciência, ler os livros recomendados e demonstrar publicamente que passou pela transformação interior exigida. Quem não fizer isso está “normalizando” a opressão.

Esse é um caminho que não leva a lugar nenhum. A opressão da mulher não é um problema de mentalidade individual que se resolve com leitura e autocrítica. É um problema ligado às condições materiais de vida, à divisão do trabalho, à dependência econômica. Trata-se, antes de qualquer coisa, de um ataque à liberdade de expressão.

Acima disso, fato é que Gustavo é um jogador de futebol, e não um político ou qualquer coisa que o valha. Portanto, deve ser julgado por seu desempenho em campo, e não por declaração A ou B. Nesse sentido, não é admissível que seja punido por meras falas, perdendo, inclusive, parte do seu sustento e do sustento de sua família por isso.

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