O Irã não deverá disputar a Copa do Mundo de 2026, marcada para ser realizada entre 11 de junho e 19 de julho nos Estados Unidos, no México e no Canadá. A declaração foi feita nesta quarta-feira (10) pelo ministro do Esporte iraniano, Ahmad Donyamali, que afirmou não haver condições para que a seleção participe do torneio após a agressão norte-americana e sionista contra o país.
Em fala à televisão estatal, Donyamali declarou que a participação da equipe se tornou inviável diante da situação aberta pelos ataques. “Considerando que esse regime corrupto assassinou nosso líder, em nenhuma circunstância podemos participar da Copa do Mundo”, afirmou o ministro. Em outra declaração, reproduzida pela imprensa esportiva europeia, ele acrescentou que o Irã foi submetido a “duas guerras em oito ou nove meses” e que “vários milhares” de iranianos foram assassinados.
O ministro também afirmou que a situação interna do país impede a presença da seleção no torneio. “Nossos filhos não estão seguros e, fundamentalmente, não existem condições para participação”, declarou. Ainda de acordo com ele, a sequência de ataques e perdas humanas tornou impossível a ida da equipe ao Mundial.
A posição do governo iraniano foi anunciada um dia após a Federação Internacional de Futebol (FIFA) sinalizar que a seleção poderia disputar normalmente a competição. Na terça-feira (9), o presidente da entidade, Gianni Infantino, afirmou ter tratado do tema com o presidente norte-americano, Donald Trump, durante reunião sobre os preparativos da Copa.
Após o encontro, Infantino declarou que Trump teria reafirmado que a seleção iraniana seria “bem-vinda” para competir nos Estados Unidos. O dirigente também afirmou que o torneio seria uma oportunidade para “unir as pessoas”, em meio ao agravamento da guerra na Ásia Ocidental.
Classificado para a Copa com antecedência após campanha dominante nas eliminatórias asiáticas, o Irã foi sorteado no Grupo G, ao lado de Bélgica, Egito e Nova Zelândia. As três partidas da equipe na fase de grupos estavam previstas para acontecer em território norte-americano: dois jogos em Los Angeles e um em Seattle.
A eventual desistência impediria a seleção iraniana de disputar sua quarta Copa do Mundo consecutiva. Na semana passada, o Irã foi a única seleção ausente da cúpula de planejamento da FIFA realizada em Atlanta, nos Estados Unidos, fato que ampliou as especulações sobre sua permanência no torneio.
Até o momento, as declarações do ministro representam a posição pública mais contundente do governo iraniano sobre o assunto, embora ainda não tenha sido anunciada uma comunicação formal à FIFA. O regulamento da competição estabelece que, em caso de desistência, a entidade decidirá “a seu exclusivo critério” quais medidas adotar, podendo ou não substituir a seleção ausente por outra.
O mesmo regulamento prevê multa mínima de 250 mil francos suíços para seleções que desistirem até 30 dias antes do início da Copa. Se a retirada ocorrer no mês anterior à abertura do torneio, o valor pode dobrar. Além disso, a equipe que deixar a competição poderá ser obrigada a ressarcir despesas já realizadas pela FIFA com preparação e organização.
Entre as seleções apontadas como possíveis substitutas aparecem equipes que avançaram às fases finais da repescagem asiática, como Iraque e Emirados Árabes Unidos, além de países que ainda disputariam a repescagem intercontinental. A definição, porém, caberá exclusivamente à FIFA.





