As Forças Armadas do Iêmen revolucionário passaram a controlar o estreito de Babelmândebe após uma ampla operação contra as tropas fantoches da Arábia Saudita na costa ocidental do país. A ofensiva também colocou sob domínio de Saná cidades, bases militares e ilhas ao longo do Mar Vermelho.
O avanço chegou a Dhubab, diante do estreito, depois da tomada de Al-Mokha, Al-Khokha, Hays e Al-Wazi’iyah. O governo sustentado pelos sauditas reconheceu a perda de Babelmândebe e da ilha de Mayyun. Autoridades ligadas a esse governo também confirmaram à Reuters a retirada de suas tropas da ilha de Perim.
Nas ilhas Grande e Pequena Hanish, mais de 2 mil soldados das forças pró-sauditas ficaram cercados. Fontes do governo de Áden admitiram não saber qual seria o destino das tropas e afirmaram que o Ansar Alá havia exigido sua rendição.
“Não sabemos o destino de nossas forças, que somam mais de 2 mil homens nas ilhas”, declararam as fontes. Um oficial afirmou ainda que os soldados pediram alimentos, água, resgate e apoio aéreo.
A dimensão da operação foi apresentada pelo porta-voz das Forças Armadas do Iêmen, brigadeiro-general Iahia Sariá. Segundo o comunicado divulgado nesta sexta-feira (11), a operação começou em 3 de setembro e expulsou as formações apoiadas pela Arábia Saudita de seis distritos de Taiz e Hodeida, num território de 5.400 quilômetros quadrados.
As tropas de Saná atingiram sete divisões que reuniam 38 brigadas. De acordo com o comando revolucionário, centenas de combatentes adversários foram mortos, feridos ou capturados. Prisioneiros iemenitas mantidos havia anos pelas forças pró-sauditas também foram libertados.
Em Al-Mokha, as forças libertadoras ocuparam o Campo Khalid e o Campo Jabal al-Nar. Este último funcionava como centro de comando das tropas mobilizadas na costa ocidental.
A Arábia Saudita tentou impedir o avanço com ataques aéreos. Sariá afirmou que a cobertura dada pela aviação não conseguiu interromper a operação.
“Apesar da intensa cobertura aérea do inimigo saudita em apoio às suas forças, o inimigo fracassou, pela graça de Deus, em influenciar a operação”, declarou.
O comando revolucionário informou ainda que suas defesas antiaéreas realizaram 32 ações contra a aviação saudita e derrubaram nove aeronaves.
A tomada de Babelmândebe tem peso especial porque o estreito liga o Mar Vermelho ao golfo de Áden e ao oceano Índico. A passagem é utilizada por uma parcela importante do transporte marítimo entre a Ásia, a Europa e o Mediterrâneo.
O avanço provocou preocupação entre os patrocinadores da Arábia Saudita. O britânico Guardian classificou a perda da costa ocidental como um “desastre estratégico” para os Estados Unidos e Riade. Em “Israel”, o Canal 14 afirmou que a queda de Al-Mokha poderia produzir consequências de grande alcance.
As Forças Armadas do Iêmen reafirmaram, porém, que as restrições à navegação continuam dirigidas aos navios sauditas.
“A navegação marítima é segura para todas as companhias, exceto para os navios sauditas que foram anteriormente submetidos à proibição anunciada”, afirmou o comunicado.
Saná mantém a política de “bloqueio por bloqueio”: enquanto prosseguirem os ataques e o bloqueio contra o Iêmen, embarcações sauditas e formações militares apoiadas por Riade continuarão sendo atacadas.
A nova fase dos combates começou depois do fim da trégua de 2022. Em julho, as Forças Armadas iemenitas declararam encerrado o acordo após ataques sauditas contra o Aeroporto Internacional de Saná. Desde então, a aviação saudita voltou a bombardear províncias como Marib, Al-Jawf, Taiz e Hodeida.
Nesta sexta-feira, dois ataques atingiram o aeroporto de Al-Mokha, segundo a agência Saba. Mesmo sob os bombardeios, as tropas de Saná mantiveram o avanço até Babelmândebe.
“Viva o Iêmen, livre, digno e independente”, declarou Iahia Sariá ao anunciar os resultados da operação. Viva!




