Política internacional

Análise dos documentos de Epstein expõe sua conexão com ‘Israel’

Novas revelações dos documentos liberados destacam suspeitas de que o financista atuava como ativo de inteligência estrangeira

Clinton e Epstein

Em uma análise detalhada publicada pela emissora libanesa Al Mayadeen nesta segunda-feira (9), os arquivos Epstein, recentemente liberados pelo Departamento de Justiça dos EUA, continuam a revelar conexões profundas entre Jeffrey Epstein e círculos de inteligência israelense. Entre as novidades destacadas estão gravações de áudio inéditas e e-mails que reforçam seus laços com o ex-primeiro-ministro Ehud Barak, incluindo discussões sobre imigração em massa para “Israel” e colaborações em tecnologias de vigilância.

Jeffrey Epstein, nascido em 1953 no Brooklyn em uma família judia de origem humilde, construiu uma trajetória que o levou das salas de aula às mansões dos bilionários e, segundo os arquivos, aos corredores do poder “israelense”. Sem diploma universitário, começou como professor na prestigiada Dalton School em 1974, onde ex-alunos relatam comportamento inadequado com adolescentes. Foi demitido em 1976, mas o cargo serviu de porta de entrada para Wall Street.

Indicado por um pai de aluno, Epstein foi contratado pela Bear Stearns em 1976, subindo rapidamente a sócio limitado em 1980, apesar de mentiras sobre credenciais e irregularidades internas. Saiu em 1981 após investigação por abusos e negociações impróprias, mas manteve contatos valiosos.

Sua fortuna não veio de genialidade financeira, mas de um padrão recorrente: fabricação de credenciais, exploração de relações pessoais e sexuais, abuso de informações privilegiadas e esquemas de duvidosa legalidade. Envolveu-se com Steven Hoffenberg no esquema Ponzi Towers Financial e manipulou ações da Pennwalt, acumulando milhões.

O salto definitivo ocorreu na relação com o bilionário Leslie Wexner, dono da Victoria’s Secret. Epstein recebeu procuração sobre vastos ativos de Wexner, adquirindo mansões, jatos privados e a ilha Little St. James nas Ilhas Virgens. Com o aval de Wexner, inseriu-se em instituições de elite: Rockefeller University, Trilateral Commission, New York Academy of Art e Harvard, usando doações para ganhar legitimidade e facilitar o recrutamento de vítimas.

Nos anos 1990, Epstein formou parceria inseparável com Ghislaine Maxwell, filha do magnata britânico Robert Maxwell. Este último, sobrevivente do Holocausto, construiu um império midiático baseado em fraudes e desvio de fundos de pensão. Maxwell mantinha laços estreitos com “Israel”: apoiava abertamente a ocupação, investia em setores estratégicos “israelenses” e recebeu funeral de honra no Monte das Oliveiras, na Jerusalém ocupada, distinção quase exclusiva a cidadãos “israelenses”. Essas relações alimentaram suspeitas históricas de que Maxwell era ativo do Mossad.

Os documentos recém-liberados fortalecem alegações semelhantes sobre Epstein. Um memorando do FBI relata depoimento de informante confidencial que afirmava: Epstein era agente cooptado do Mossad. O informante citou conversas em que o advogado Alan Dershowitz teria dito ao ex-procurador Alexander Acosta que Epstein trabalhava para inteligência americana e aliada, incluindo sessões de debriefing (interrogatório) com o Mossad após contatos com Dershowitz. O mesmo documento registra que Dershowitz teria declarado: se fosse jovem novamente, estaria segurando uma arma de choque como agente do Mossad.

Epstein manteve longa relação com Ehud Barak. Os arquivos mostram visitas frequentes à residência de Epstein em Nova York, viagens no avião particular do financista e colaboração empresarial. Em 2015, os dois fundaram a startup Carbyne (antiga Reporty Homeland Security), focada em tecnologia de segurança e vigilância, com Barak como presidente. Uma gravação de 2017 capturou Epstein e Barak discutindo imigração para “Israel” e seus impactos na composição do exército e na política interna.

Os documentos revelam ainda que Epstein canalizou recursos para instituições ligadas ao Estado “israelense”. Em 2005, sua fundação COUQ doou US$ 25 mil ao Friends of the “Israel” Defense Forces (FIDF), organização que arrecada fundos para o exército “israelense”, e US$ 15 mil ao Jewish National Fund (JNF), entidade associada à apropriação de terras palestinas para assentamentos. Em 2008, ano em que enfrentava acusações por tráfico sexual de menores, Epstein visitou bases militares “israelenses” acompanhado de dirigentes do FIDF.

Outras conexões aparecem nos arquivos: Leon Black é acusado em diários de abusos graves; Bill Gates trocou mensagens pessoais sensíveis com Epstein; Marc Rowan, da Apollo Global Management, manteve contato comercial após a condenação de Epstein; e há menções à tecnologia da Palantir, usada por “Israel” em operações de vigilância e nos ataques com pagers e walkie-talkies no Líbano em 2024.

A rede de Epstein revela como bancos, universidades, políticos e elites permitiram que ele atuasse livremente como criminoso sexual por décadas. Sua morte em 2019, oficialmente classificada como suicídio, não interrompeu a exposição das conexões.

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