Na última sexta-feira (6), em discurso realizado em Salvador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que sua relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi “amor à primeira vista”. Segundo Lula, o vínculo entre os dois é de amizade e “química”. Diante de uma plateia que aguardava anúncios sobre o Novo PAC Saúde, o presidente optou por manifestar publicamente sua afeição pelo chefe de Estado do principal país imperialista do planeta.
Ora, não há nada de errado em um presidente estabelecer relações diplomáticas com seu equivalente em outra nação. Esse é, afinal, o papel que se espera de qualquer governante. No entanto, é necessário ir além da superfície cordial das declarações e observar com atenção o conteúdo e as consequências políticas que se escondem por trás desse “amor”.
Lula tentou usar a bravata de que o povo baiano não tem medo de quem “fala grosso”, numa referência à imposição de tarifas por Trump contra produtos brasileiros. No entanto, por mais que o presidente diga que não se acovarda, o que se vê na prática é uma completa submissão da política externa brasileira aos interesses do imperialismo norte-americano.
A frase sobre “amor à primeira vista” não é apenas uma metáfora infeliz: ela representa com fidelidade o caminho que o governo Lula escolheu trilhar. Um caminho que evita qualquer tipo de confronto com os Estados Unidos — mesmo diante de ações escandalosas que exigiriam uma resposta contundente, como o sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.
O governo Lula não apenas se calou frente a esse crime internacional, como manteve relações amistosas com os responsáveis por ele e, recentemente, declarou que a devolução do presidente venezuelano não era uma “prioridade”. Isso não é diplomacia — é capitulação. É um abandono da soberania nacional e da solidariedade entre os povos oprimidos.
Ao invés de aproveitar sua liderança para fazer do Brasil um polo de resistência ao domínio imperialista, Lula opta por bajular os poderosos e consolidar seu alinhamento com o grande capital. Enquanto isso, a América Latina segue sangrando sob bloqueios, sanções, intervenções e ameaças.





