Durante a abertura do 8º Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), no último dia 24, em Brasília (DF), o destaque não foi para nenhum militante tradicional, mas sim para um adversário histórico, atualmente considerado como “amigo”: o ex-presidente do PSDB e atual vice-presidente, Geraldo Alckmin. A principal liderança do partido, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não participou presencialmente do evento, tendo apenas enviado um vídeo.
Em seu discurso, Alckmin declarou: “São duas palavras, mas a primeira é de agradecimento pelo respeito e a confiança. Eu, que não sou do PT, sempre fui recebido com enorme afeto e consideração. E a segunda, dizer da minha lealdade. Presidente Lula, conte conosco para trabalharmos, em benefício da nossa população”.
O discurso recebeu aplausos dos congressistas, que acolheram as promessas de lealdade com entusiasmo.
Certamente, esses petistas apagaram da memória o passado golpista do próprio orador e o fato de que, em 2015, pouco antes do início do processo de impeachment contra Dilma Rousseff, o então vice-presidente Michel Temer fazia o mesmo tipo de declaração: jurava lealdade absoluta à presidenta enquanto, ao mesmo tempo, articulava com deputados, senadores, militares e o Judiciário o golpe de 2016.
Em 2015, a direção petista e a maioria da esquerda apresentavam a avaliação de que, no Brasil, “a democracia” estava “consolidada” e que um golpe de Estado seria “impensável”, sendo que os fatos comprovaram que se tratava de uma grande ilusão.
Neste momento, a esquerda vive o mesmo tipo de ilusão. Criou-se a ideia de que Jair Bolsonaro seria o golpista e que, agora preso, a situação estaria novamente normalizada, esquecendo-se de que os verdadeiros golpistas estariam todos soltos.
O fato é que a tendência golpista estaria presente na atual situação. A burguesia já teria deixado claro que não aceita um novo mandato de Lula. Ela quer um governo que ataque os trabalhadores e a população pobre com mais intensidade.
Tudo isso revelaria o fracasso da política de frente ampla, de busca de aliança com a burguesia, e a necessidade de que a esquerda tenha uma política própria, independente da burguesia, com base na mobilização da classe trabalhadora.





