Nesta segunda-feira (9), a emissora libanesa Al Mayadeen publicou um artigo afirmando que Trump está tentando contatar o Irã para encerrar a guerra, iniciada após agressão norte-americana e israelense em 28 de fevereiro. No entanto, as autoridades iranianas informaram aos mediadores que não receberão nem responderão às mensagens dos Estados Unidos. A informação exclusiva tem como fonte um funcionário oficial iraniano.
“O presidente dos EUA, Donald Trump, tem tentado se comunicar com Teerã por meio de intermediários, em um esforço para pôr fim à guerra, mas o Irã se recusa a responder, embora ele continue afirmando o contrário”, disse um alto funcionário político iraniano à Al Mayadeen.
Segundo a fonte oficial, as mensagens privadas de Trump contradizem sua retórica pública. “Trump se contradiz no que nos envia”, disse a fonte, referindo-se às declarações do presidente norte-americano à imprensa dos EUA, nas quais ele afirma que não há um cronograma específico para o fim da guerra.
Ainda de acordo com a Al Mayadeen, a fonte iraniana afirmou que os sinais contraditórios vindos de Washington refletem um estado de “caos e profunda crise” dentro do governo Trump, acrescentando que o presidente dos EUA se encontra “em uma situação terrível, sem uma saída clara para esse atoleiro”.
Apesar de toda a bravata do presidente norte-americano, praticamente todas as análises políticas sérias que circulam na Internet e nos jornais da imprensa alternativa apontam para uma situação grave para os EUA e “Israel”, levando em consideração a situação econômica global; o levante popular em muitos países ao redor do mundo contra os crimes de guerra e os ataques ao povo do Irã, inclusive dentro dos próprios EUA; a falta de armamento para enfrentar os mísseis do Irã; a crise nos países do Golfo; e mais.
Ele acrescentou que a posição do Irã está ligada ao conflito regional mais amplo e ao que Teerã descreve como as consequências das ações israelenses na região. “O Irã mantém uma posição firme e resoluta com um objetivo estratégico: não responder a nenhuma iniciativa até que a entidade sionista recue e entre em colapso total após todos os crimes que cometeu na região”, disse o funcionário à Al Mayadeen.
Ao mesmo tempo, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou neste domingo (8) que a República Islâmica rejeita qualquer proposta de cessar-fogo na guerra contra os Estados Unidos e “Israel”. Em entrevista ao programa Meet the Press, da NBC News, o chanceler declarou que o país não aceitará uma nova trégua temporária e insistiu que a agressão só pode terminar com um fim permanente da guerra.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de encerrar a guerra e retomar negociações com os Estados Unidos, Araghchi respondeu que isso não será feito nos termos exigidos por Washington. “E agora vocês querem pedir um cessar-fogo de novo? Isso não funciona assim… É preciso haver um fim permanente para a guerra”, declarou. Em seguida, acrescentou: “a menos que cheguemos a isso, acho que precisamos continuar lutando em nome do nosso povo e da nossa segurança”.
Já o comandante iraniano do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, major-general Ali Abdollahi, afirmou também neste domingo que o Irã continuará a guerra até que os Estados Unidos e “Israel” se arrependam da agressão lançada contra a República Islâmica. Segundo ele, o país possui hoje armas avançadas, de alta precisão, superiores ao que o inimigo calcula sobre a capacidade militar iraniana.
O presidente iraniano Massoud Pezeshkian, neste mesmo domingo, reafirmou o direito do país de responder a ataques lançados a partir de qualquer território estrangeiro. Segundo ele, se o inimigo invade o território iraniano a partir de outro país, o Irã precisa responder ao ataque, e isso não significa hostilidade contra o povo desse país. “Nós nos colocamos firmemente contra e respondemos com força àqueles que atacam nosso país”, declarou. Em seguida, afirmou que o Irã não se curvará à prepotência, à opressão e à agressão.



