Política nacional

AGU defende escravocratas da Marinha contra o ‘Almirante Negro’

“A burguesia nunca perdoou João Cândido pelo feito histórico, mesmo após a morte”

A Advocacia-Geral da União (AGU), órgão do governo Lula, manifestou-se contrária à ação movida pelo Ministério Público Federal (MPF) contra a União, que pede a condenação ao pagamento de R$5 milhões por dano moral coletivo em razão dos ataques da Marinha brasileira à memória e à figura de João Cândido Felisberto, líder da maior revolta ocorrida na Marinha no País.

Em 2024, o comandante da Marinha, almirante Marcos Olsen, enviou carta à Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados na qual classificou a Revolta da Chibata, ocorrida em 1910, como “fato opróbrio” e seus participantes, sobretudo seu líder, João Cândido, como “abjetos marinheiros” que teriam desrespeitado a hierarquia e a disciplina. A manifestação foi interpretada como tentativa de pressionar os deputados a não incluírem João Cândido, conhecido como Almirante Negro, no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, projeto de lei ainda em tramitação.

O MPF considerou a posição da Marinha incompatível com a Constituição, com os tratados internacionais de direitos humanos ratificados pelo Brasil e com a Lei nº 11.756/2008, que concedeu anistia a João Cândido e a outros participantes da revolta. Para o órgão, é dever do Estado preservar a memória daqueles que lutaram contra os castigos físicos na Marinha.

Agora, no âmbito do processo, a AGU manifesta-se em apoio à Marinha, classificando a Revolta da Chibata como “episódio marcado por mortes, insubordinação grave e ameaça à ordem pública e ao Estado de Direito”.

A Revolta da Chibata foi a maior rebelião da Marinha brasileira. Os marujos, majoritariamente negros e submetidos a castigos físicos, levantaram-se contra os oficiais e contra o Estado brasileiro, exigindo o fim das punições corporais, aumento do soldo e melhoria das condições de trabalho.

Sob a liderança de João Cândido, assumiram o controle dos principais navios de guerra do País, enfrentaram oficiais que se opuseram ao movimento, apontaram os canhões para o Rio de Janeiro e impuseram uma crise à recém-instalada República. Em poucos dias, as reivindicações foram formalmente atendidas e foi aprovada uma lei de anistia. Posteriormente, a classe dominante e o alto comando militar retaliaram os revoltosos, submetendo-os a perseguições e punições.

Ainda assim, a revolta consolidou-se como um dos episódios centrais da história brasileira, quando cerca de dois mil marinheiros negros e pobres enfrentaram a oficialidade das Forças Armadas e o próprio regime republicano então vigente.

A burguesia nunca perdoou João Cândido pelo feito histórico, mesmo após a morte. Ele e seus marinheiros estarão para sempre guardados no coração de todos os oprimidos, de todos que lutam, como modelos, como inspiração.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.