Após a vitória eleitoral acachapante da extrema-direita, o PT se vê diante de um labirinto sem saída. De um lado, está a provável derrota para Flávio Bolsonaro no segundo turno, configurando um fim de carreira nada honroso para Lula. Do outro lado, está a improvável vitória de Lula junto com um intenso movimento da direita para derrubá-lo. Infelizmente, não há alternativa.
O PT teve 4 anos para tomar medidas de alto impacto positivo para a classe trabalhadora. Entretanto, preferiu ficar no meio do caminho, fazendo alguns pequenos programas sociais de baixo impacto junto com políticas de ajuste fiscal que em última instância prejudicaram a população. Também se agarrou ao controverso ministro Alexandre de Moraes, e agora está pagando o preço.
A queimação de filme foi tanta que agora já se tornou irreversível. Nessa provável vitória de Flávio Bolsonaro, há menos méritos dele do que deméritos de Lula e do PT. Mesmo que Lula hoje tomasse as medidas que constam no programa do PCO, como aumento de 100% do salário-mínimo, redução da jornada de trabalho para 35 horas semanais, e reestatização da Eletrobras, isso não reverteria o cenário. Logo alguém perguntaria “por que não fez isso nos 4 anos de governo?”, e o caráter eleitoreiro dessas medidas ficaria logo claro, desmoralizando completamente a estratégia.
Mesmo desmoralizada, essa estratégia poderia ser benéfica para o povo. Acontece que o PT está indo no caminho oposto. Em seu discurso após o fim do primeiro turno, Lula voltou a insistir em ajuste fiscal, deu destaque a Alckmin no palanque, e já começaram os rumores indicando que o tucano poderia ser nomeado para o ministério da fazenda. Alguém acredita que Alckmin poderia fazer uma gestão econômica melhor do que a já desastrosa política de Fernando Haddad, campeão em perder eleições?
Lula e o PT cavaram sua própria cova. Inês está morta. Se não hoje, amanhã. É o triste fim pavimentado pela frente ampla e conciliação de classe.





