Iraque

Ação da resistência iraquiana acelera expulsão dos EUA do país

Primeiro-ministro Mohammed Shia al-Sudani anunciou antecipação do fim da coalizão militar chefiada pelos Estados Unidos

O primeiro-ministro do Iraque, Mohammed Shia al-Sudani, declarou que o governo iraquiano decidiu antecipar o fim da coalizão militar chefiada pelos Estados Unidos no país. A declaração foi publicada nesta segunda-feira (23) em entrevista ao jornal italiano Corriere Della Sera, em meio à intensificação das ações da Resistência Islâmica no Iraque contra bases e instalações da ocupação norte-americana.

Segundo Al-Sudani, o encerramento da missão da coalizão estava previsto para setembro de 2026, mas o cronograma será acelerado. A decisão foi anunciada no momento em que o Iraque se tornou um dos centros do confronto regional aberto pela agressão dos EUA e de “Israel” contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro.

“Com nossos aliados, decidimos agora antecipar o fim da coalizão internacional, que deveria continuar até setembro de 2026”, afirmou o primeiro-ministro iraquiano.

A pressão sobre a presença norte-americana aumentou nos últimos dias com a escalada das operações da Resistência Islâmica no Iraque. No domingo, a organização anunciou ter realizado 21 operações em 24 horas, empregando dezenas de VANTs e mísseis contra bases da ocupação norte-americana no Iraque e em outros pontos da região.

Entre os alvos atingidos esteve a base norte-americana Vitória, nas proximidades do aeroporto de Bagdá, que sofreu ao menos oito ataques separados com foguetes e VANTs até a madrugada. A instalação funciona como centro logístico militar dos EUA e tem sido atacada continuamente desde o início da guerra norte-americana e israelense contra o Irã.

Além da base Vitória, também foram registrados ataques contra o consulado dos EUA em Erbil, na região do Curdistão iraquiano, contra a base de Harir e contra instalações ligadas à embaixada norte-americana em Bagdá. Foguetes Katyusha também atingiram um campo de apoio logístico associado à representação diplomática dos EUA perto do aeroporto da capital iraquiana.

Imagens divulgadas após uma das operações realizadas na sexta-feira mostraram a base Vitória tomada por grandes chamas. A sucessão de ataques obrigou os Estados Unidos a reduzir ainda mais sua presença diplomática no Iraque. Na sexta-feira (20), autoridades confirmaram a retirada de mais funcionários do complexo da embaixada em Bagdá, que agora opera apenas com uma equipe mínima.

A ofensiva da resistência também atingiu diretamente as forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). De acordo com uma fonte de segurança ouvida pela Al Mayadeen, todos os soldados italianos destacados no Iraque como parte da OTAN deixaram o país e se deslocaram para a Jordânia. Segundo a mesma fonte, o contingente era de cerca de 100 militares.

A presença de tropas estrangeiras abriu uma crise no interior do Iraque no último período. O governo vinha defendendo o monopólio estatal das armas e o desmantelamento dos arsenais das organizações da resistência, enquanto essas organizações justificavam sua preparação militar justamente pela permanência de soldados estrangeiros em território iraquiano.

A missão da coalizão internacional havia sido organizada em 2014 sob o pretexto de combater o Estado Islâmico (EI). O processo de retirada começou formalmente em 2024, e a primeira fase do acordo foi concluída em janeiro deste ano, com a saída de efetivos de bases militares iraquianas. A coalizão também iniciou a retirada de forças da Síria, entregando recentemente suas bases às forças do governo sírio após o golpe pró-imperialista contra Bashar Al-Assad.

A nova posição anunciada por Al-Sudani indica que o governo iraquiano busca acelerar a retomada do controle pleno sobre o território nacional e retirar o país da guerra regional ampliada pelos EUA e por “Israel”. Nesse sentido, o governo reage à pressão imposta pela resistência, que adota a política correta e, com isso, isola cada vez mais a política capituladora dos governantes.

Ao mesmo tempo, a resistência iraquiana vem apresentando suas operações como resposta direta aos ataques que resultaram no martírio de combatentes iraquianos e à continuidade da agressão norte-americana e israelense na região.

Em 19 de março, o Caetebe Hesbolá informou que havia determinado a suspensão, por cinco dias, das operações contra a embaixada dos EUA em Bagdá, mas advertiu que a resposta seria imediata caso suas exigências não fossem atendidas. Entre essas exigências estavam o fim dos bombardeios contra o subúrbio sul de Beirute, o compromisso de não atacar áreas residenciais em Bagdá e nas províncias iraquianas e a retirada de agentes da CIA de suas posições, mantendo-os dentro do complexo da embaixada.

Dois dias antes, um alto dirigente do Cataebe Hesbolá havia sido assassinado em um bombardeio conduzido pelos EUA e por “Israel”. Desde então, os ataques aéreos contra o Iraque continuaram, ao mesmo tempo em que a resistência intensificou as ações contra alvos norte-americanos.

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