Editorial

A trovoada identitária caiu em Ratinho

Não concordar com Erika Hilton virou crime sujeito a prisão

O apresentador Ratinho declarou ser contra a indicação da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) para presidir a Comissão de Mulheres da Câmara porque ela não é uma mulher. Imediatamente, desceu a trovoada do Olimpo identitário: Ratinho está sendo processado.

Não importa se alguém concorda ou discorda da opinião do apresentador. O que está em jogo é se essa opinião pode ser dita. E a resposta do identitarismo é clara: quem discordar vai para a cadeia. A Erika Hilton construiu, a partir do Congresso, uma organização para detectar e perseguir judicialmente quem fale algo de que ela não goste. Isso é cassação do debate político.

É uma farsa a ideia de que essas leis existem para proteger os oprimidos. O conceito de “discurso de ódio” e todo o aparato judicial que o sustenta são protegidos pelo capital. Mesmo que o processo não resulte em condenação, o efeito já foi produzido: o alvo é banido, censurado, marginalizado. Grupos oprimidos de verdade não processam apresentadores de televisão. Só quem tem poder para fazer isso é a burguesia, com seu acesso às instituições e seus recursos jurídicos.

O padrão foi inventado e aperfeiçoado pelo sionismo. Durante décadas, o lobby sionista construiu uma máquina de processos para intimidar qualquer pessoa que falasse algo contra “Israel”. Criou lobbies poderosos dentro das instituições do Estado. Processou jornalistas, ativistas, dirigentes políticos. O identitarismo relativo aos transexuais segue o mesmo manual.

Vale dizer o que o identitarismo proíbe de dizer: os problemas que definem a condição feminina na sociedade têm base biológica. A maternidade acorrenta a mulher ao trabalho doméstico, e o trabalho doméstico é a escravidão da mulher. Essa é a base material da opressão feminina e a base da luta das mulheres. Ao equiparar a mulher biológica à mulher transexual, essa definição desaparece. A luta das mulheres perde seu fundamento. Discutir isso, no entanto, virou crime.

A lei que sustenta esses processos é ela própria uma aberração. Foi uma decisão ilegal do STF que, em 2019, equiparou homofobia e transfobia ao crime de racismo sem que o Congresso tivesse aprovado nada nesse sentido. O resultado é que uma questão política legítima deixou de ser respondida com argumentos e passou a ser respondida com prisão. Quando isso acontece, o debate político acabou.

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