A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) já encontrou a solução para todos os problemas políticos do Brasil: chamar a polícia.
Sua mais recente iniciativa foi pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF), nessa segunda-feira (26), a apreensão dos passaportes de Flávio Bolsonaro, derrotado na eleição presidencial. Hilton alegou “risco de fuga” e solicitou que a Procuradoria-Geral da República avaliasse medidas para impedir sua saída do País.
No mesmo dia, Moraes determinou a retenção dos passaportes do senador, no âmbito de um inquérito sobre suspeitas de lavagem de dinheiro.
Deve ser uma sensação extraordinária. Enquanto milhões de trabalhadores não conseguem sequer fazer valer seus direitos mais elementares, uma deputada do PSOL pode bater à porta do Supremo e pedir providências contra um senador que recebeu quase 60 milhões de votos.
Veja-se o caso de Isabella Cêpa. A militante feminista criticou a eleição de Hilton à Câmara Municipal de São Paulo, em 2020, e acabou envolvida em procedimentos judiciais por suposta “transfobia”. A disputa se arrastou durante anos. Nesse meio tempo, Cêpa deixou o Brasil e obteve asilo político em um país europeu, em 2025, alegando perseguição.
Já Isadora Borges, estudante de veterinária da Paraíba, respondeu a uma ação penal por publicações de 2020 sobre ideologia de gênero. As mensagens sequer mencionavam nominalmente Erika Hilton, que ingressou no processo como assistente de acusação.
Outro caso envolveu o apresentador Ratinho, que questionou a escolha de Hilton para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher. A parlamentar acionou o Ministério Público, solicitando investigação criminal. O conflito também resultou em uma disputa judicial que obrigou o SBT a transmitir um direito de resposta.
A patrulha chegou à campanha eleitoral. Em setembro, a Justiça Eleitoral proibiu o impulsionamento pago de um vídeo de Lucas Pavanato que acusava a deputada de ser um “projeto de ditadora”. Em outro episódio, o Ministério Público ajuizou uma ação contra Eduarda Campopiano por declarações consideradas “transfóbicas”, após representação apresentada pela deputada eleita Sofia Favero.
Tudo ocorre como se Erika Hilton tivesse escondida na calça uma arma formidável. Aponta para um adversário, anuncia o disparo e aguarda a chegada a jato da Polícia Federal.
O problema é que sua pistola é de plástico. A deputada pode fazer pose de autoridade, mas o poder de verdade não está em suas mãos.
A deputada pertence a uma camada da esquerda pequeno-burguesa que confunde mamar nas tetas do Estado com a posse efetiva do poder. Quem nomeia os ministros, define a política econômica e controla as principais instituições do regime? Certamente não é Erika Hilton.
O poder que ela acredita exercer é emprestado. E quem empresta pode tomar de volta.
Erika Hilton pode apontar sua pistola para Isabella Cêpa, Ratinho, Flávio Bolsonaro ou qualquer outro desafeto. Pode até conseguir que a Justiça atenda alguns de seus pedidos. Mas não é ela quem decide quando a arma dispara. Muito menos contra quem poderá ser utilizada amanhã.



