Em sua edição desta terça-feira (6), o jornal O Estado de S. Paulo publicou o artigo No poder por lealdade a Chávez, Maduro parece ter sido traído por aliados de primeira hora, assinado por Luis Raatz. No texto, o articulista considera o governo de Nicolás Maduro como acabado — ainda que tanto ele, quanto a vice-presidente da Venezuela, tenham dito que o presidente do país caribenho permanece o mesmo. Segundo ele, o herdeiro político de Hugo Chávez teria sido vítima de um “acordão” interno.
O artigo afirma que o vazio deixado pelo sequestro de Maduro foi rapidamente preenchido por Delcy Rodríguez, agora presidente interina, e seu irmão Jorge Rodríguez, chefe da Assembleia Nacional. Ambos representam a ala “pragmática” do regime e teriam mantido contatos indiretos com o governo norte-americano via Catar desde outubro de 2025. Segundo Raatz, em vez de apostar na oposição tradicional, os Estados Unidos teriam optado por “manter a máfia chavista intacta, desde que ela estivesse disposta a colaborar com os interesses americanos”. Esse movimento resultou no que o colunista descreveu como um “chavismo sem Maduro”.
Trata-se de uma tese sem pé, nem cabeça. O autor não prova o que diz, e muito do que diz não faz sentido algum. No entanto, o artigo revela um padrão de muito tempo da imprensa capitalista: a produção de intrigas contra o presidente da Venezuela e contra seu governo, como parte de uma campanha de intimidação para voltar a opinião pública contra o chavismo cujo objetivo é fornecer uma cobertura para o golpe de Estado no país caribenho.
O próprio sequestro de Maduro, no entanto, fez cair por terra muitas dessas intrigas. O presidente venezuelano, corretamente, afirmou, em tribunal, que era um prisioneiro de guerra, impugnando o julgamento-farsa criado pelo governo norte-americano. A única medida possível no caso do julgamento é utilizá-lo como tribuna para denunciar o imperialismo, visto que não se trata de um julgamento real e, portanto, não poderia ser aceito.
A agressão criminosa dos Estados Unidos e a postura combativa de Maduro, por sua vez, vão completamente de encontro com as acusações de que Maduro estaria fazendo acordos com o presidente norte-americano Donald Trump para fugir da Venezuela. Se Maduro estava prestes a fugir, por que sequestrá-lo? Se ele estava prestes a trair seu próprio povo, por que não buscar um acordo, em vez de peitar o julgamento que poderá levá-lo a uma pena de décadas de detenção?
Surgiu também a denúncia feita pela esposa de Nicolás Maduro, Cilia Flores, teria sofrido ferimentos durante o processo de sequestro, incluindo uma costela fraturada, e que, após dois ou três dias, ainda não havia recebido tratamento médico. Nem mesmo diante do sofrimento de sua esposa, portanto, o presidente venezuelano capitulou.
As informações falsas persistem, incluindo rumores de que a vice-presidente da Venezuela seria de direita e estaria em negociações com o imperialismo. Há uma campanha de desinformação enorme por parte da imprensa dita “democrática”, como O Estado de S. Paulo, para quem há passe livre para difundir suas “fake news”.





