No dia 12 de fevereiro de 2026, a revista Movimento publicou o artigo Caso Master: Toffoli se afunda em suspeitas, no qual analisa as recentes investigações da Polícia Federal que ligam o ministro Dias Toffoli a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O texto se debruça sobre a “crise de credibilidade” da Corte, discutindo a necessidade de afastamento do magistrado dos processos relativos ao caso e a urgência de preservar a “confiança pública na Justiça”. No entanto, o que transparece na análise não é apenas uma leitura equivocada dos fatos, mas uma clara cumplicidade com o regime político e um oportunismo =que busca salvar as aparências do Supremo Tribunal Federal (STF) enquanto a instituição se desintegra sob o peso de sua própria natureza aristocrática.
O problema fundamental reside em tratar o Caso Master como uma “crise de conduta” ou uma “falha ética” individual que poderia ser resolvida com o afastamento voluntário de Toffoli ou a designação de novos relatores. Essa perspectiva ignora, deliberadamente, que o STF não é uma instituição democrática que “passa por problemas”, mas o pilar de sustentação de uma ditadura de toga que serve aos interesses da burguesia e do capital financeiro. Ao sugerir que o afastamento do ministro seria uma medida de “preservação institucional”, a publicação revela seu papel de linha de frente na defesa de um regime falido. Trata-se de um oportunismo que tenta “limpar a fachada” do tribunal para que ele possa continuar exercendo seu papel repressivo e antipopular sem maiores questionamentos das massas.
A hipocrisia do texto torna-se gritante ao manifestar o receio de que a extrema direita possa “instrumentalizar” o escândalo para atacar o Judiciário. Esse argumento é a ferramenta clássica da esquerda institucional para silenciar a crítica necessária: sob o pretexto de combater o bolsonarismo, aceitam-se os contratos milionários para cônjuges de ministros e as decisões que beneficiam banqueiros em detrimento do povo. É uma cumplicidade vergonhosa. Ao defender a “integridade simbólica” de uma Corte onde Toffoli suspende multas de R$10 bilhões para a J&F enquanto mantém laços societários cruzados com investigados, a revista se coloca como cúmplice direta das arbitrariedades do STF. O “medo do golpe” é usado como um salvo-conduto para que o STF continue operando como um balcão de negócios acima da lei e da vontade popular.
A análise da revista Movimento foge da questão que realmente importa: a própria existência do STF é uma aberração política. Não há como “preservar a confiança” em um órgão composto por onze indivíduos não eleitos, com mandatos vitalícios e superpoderes monocráticos. O Caso Master, que envolve Toffoli, Moraes e a sombra de Gilmar Mendes, é apenas a ponta do iceberg de um sistema desenhado para ser incontrolável. Falar em “institucionalidade” diante de provas de pagamentos de dividendos de empresas ligadas a ministros no contexto de compras de resorts é tentar perfumar um cadáver. A solução não é o afastamento de um ministro, nem a criação de um código de conduta inócuo que, como se sabe, serve apenas para ser ignorado.
O que a realidade brasileira exige, e que o oportunismo da esquerda pequeno-burguesa tenta esconder, é o fim imediato do STF. A única saída democrática real é a submissão do Judiciário ao controle popular. Isso passa pela eleição direta de todos os magistrados pela população, com mandatos curtos e revogabilidade imediata pela população.




