Polêmica

A ‘esquerda’ a serviço da agressão contra a Venezuela

Grupo, em vez de atacar a agressão criminosa dos EUA e o sequestro de Maduro, aproveita a situação para fazer insinuações e enfraquecer o governo, o que só favorece os agressores

Manifestação na Venezuela

O artigo Uma transição com um governo chavista com uma pistola ianque apontada para a cabeça?, publicado no sítio Esquerda Diário nesta terça-feira (6), apesar do disfarce, faz frente com o governo Trump. Concentra suas energias em atacar o governo, concorda com a falácia da “transição”, e não exige a imediata libertação de Nicolás Maduro, presidente sequestrado da Venezuela.

Em seu início, o artigo ocupa cinco parágrafos para criticar a falha do governo em debelar o ataque. Sobre esse assunto, no momento, cabem apenas críticas pontuais, pois não se reverterá a situação e muito menos diminuirá a gravidade da agressão de uma potência econômica e militar contra um país pobre. Não se pode esquecer que os EUA têm muitos recursos, desde financeiros, militares e tecnológicos.

Adiante, o autor do artigo utiliza mais três parágrafos para destacar a arrogância de Trump, que se vangloria de ser uma potência inigualável. Recheiam o texto frases do tipo “eu controlo o hemisfério ocidental”, e “não permitiremos que outros venham aqui tirar o que é nosso”. Que o presidente americano “tratou a Venezuela como um trapo”. Nada disso, no entanto, é dito de modo crítico. O tom é basicamente neutro e “jornalístico” (no sentido negativo).

Colonialismo

Se os EUA dizem que controlarão a Venezuela até que seja possível uma transição, isso não pode se descrito sem que se denuncie essa ingerência criminosa. O articulista disse que os Estados Unidos descartam María Corina Machado por que “ela não tem apoio interno nem força para liderar a transição”, e considera isso uma “postura realista” por parte dos americanos.

Adiante, o autor diz “se tentarem impô-la [Corina Machado] (ou a Urrutia como fachada), não haverá ‘transição pacífica’, e se abriria outro tipo de cenário. Pelo que sabemos dos objetivos e da forma de agir, Trump não quer um cenário de guerra real aberta nem guerra civil”. O que se omite é que os EUA não têm condições de invadir a Venezuela, e que isso é resultado de o governo ter armado a população.

Por que esse fator decisivo é omitido? Porque é insustentável chamar um presidente de ditador quando arma o povo.

Desmoralização

O artigo, ainda no caminho de desmoralizar o governo, traz que Trump “falou da Vice-presidente Delcy Rodríguez, chegando a dizer que ela havia conversado longamente com Marco Rubio e que demonstrou disposição para colaborar. Isso a colocaria como grande traidora”. É óbvio, no entanto, que o governo tente negociar, pois a alternativa seria entrar em guerra com os Estados Unidos quando existem ainda outras alternativas, como o confisco de ativos e empresas americanas na Venezuela, o que certamente aumentaria o apoio popular.

Em seguida, lemos que, quando Trump foi questionado se haveria um segundo ataque, o presidente americano teria dito que “se necessário, sim, e que seria mais contundente”. De onde o autor conclui que “a melhor via imperialista para uma transição pacífica é com um governo dos que permanecem no poder em Caracas, com a pistola dos EUA apontada à cabeça”.

Os EUA necessitam de uma transição pacífica, pois uma intervenção por terra seria extremamente custosa, além de uma derrota ser quase inevitável, visto que têm acumulado derrotas e mais derrotas.

O autor do texto deveria se perguntar: uma pistola dos EUA apontada à cabeça por que, se tenta pintar o governo como fraco e disposto a “negociar”? Se existe a disposição à capitulação, os americanos não precisaram fazer nada, apenas esperar.

A intenção do texto é sempre no sentido de desmoralizar o governo, diz que as declarações de Delcy Rodríguez (feitas depois das de Trump) foram ambíguas”. Além de fazer uma observação sarcástica “Claro, disse que na Venezuela há apenas um presidente, que é Maduro, e exigiu sua libertação”. No entanto, apenas a exigência da libertação de Maduro é mil vezes mais radical que essa esquerda se diz revolucionária, mas que de maneira oportunista se cala e não exige o mesmo.

Segundo o texto, o governo “não anunciou nenhuma medida concreta – nem econômica nem militar – em resposta à agressão”, apesar da formação das milícias populares.

Apesar de as imagens desmentirem, o artigo afirma que “no plano popular, não há processos de mobilização em massa. Saíram às ruas os grupos parapoliciais do governo para patrulhar as vias, que permaneceram majoritariamente vazias durante todo o dia. Exceto pelas pessoas que saíram para formar longas filas em busca de comida, mantimentos, água, e por algumas pouquíssimas concentrações do governo em certos pontos do país”.

Essa fala é particularmente sórdida, pois acusa o governo de mandar grupos para intimidar a população. Além, é claro, de falar “longas filas em busca de comida”, como se isso fosse obra do chavismo, e não do bloqueio econômico criminoso dos Estados Unidos contra o país.

Ao não denunciar o bloqueio, esse grupo se junta a traidores, como María Corina Machado, Juan Guaidó, e outros. Isso tem que ficar claro.

Eleições?

No último parágrafo, que trata da posse Delcy Rodrigues na “ausência temporária” do presidente, lê-se que “isso é muito importante. Por quê? Porque, se tivessem declarado ausência permanente, o que caberia seria convocar eleições em 30 dias, como aconteceu em 2013, quando Chávez faleceu; e foi exatamente isso que perguntaram recentemente a Marco Rubio. Se haveria eleições em 30 dias, e ele respondeu: ‘é cedo demais para falar de eleições’. Claro, 30 dias para organizar eleições na Venezuela é ‘cedo demais’ para arrumar as coisas. No entanto, ao declarar a ausência do Presidente como temporária, a Vice-presidente assume por 3 meses, prorrogáveis por mais 3 meses, para governar. Ou seja, 6 meses para negociar e ver o que será feito”. – grifo nosso.

Como se viu, o autor do artigo está insinuando, para não dizer acusando, que o governo venezuelano está em um tipo de conluio com os americanos.

O que esses “revolucionários” fingem não ver, é que uma eleição agora traria uma vitória contundente do chavismo que iria simplesmente varrer com a oposição, e isso os americanos não querem.

Os americanos sabem que com sua agressão aumentaram a adesão popular ao governo, o mesmo fenômeno observado no Irã após os ataques do imperialismo e do sionismo.

A situação na Venezuela está se radicalizando e o que resta a essa “esquerda”, que quando “exige” a libertação de Maduro faz ressalvas, é tentar minar o governo sorrateiramente, o que só pode beneficiar os agressores do povo venezuelano.

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