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A delação que não delata ninguém?

Imprensa aponta que a nova versão da delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro tende a ser rejeitada pela PF e a PGR

A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, no dia 5 de junho, apresentou à PF (Polícia Federal) e à PGR (Procuradoria-Geral da República) uma nova versão da proposta de delação premiada. 

A Polícia Federal rejeitou formalmente a primeira proposta de delação de Vorcaro. Segundo investigadores, o material era superficial e omitia informações sobre aliados políticos. Após a decisão, o ex-banqueiro reformulou sua equipe jurídica. 

De acordo com a CNN Brasil, a versão rejeitada havia sido criticada pela PF sob a alegação de que Vorcaro havia omitido nomes e protegido determinadas pessoas — informações que a própria corporação já havia levantado a partir da análise e perícia de um dos oito celulares apreendidos do investigado. 

Segundo apuração da própria CNN, o novo documento apresentado pelo advogado Sérgio Leonardo, da defesa de Daniel Vorcaro, contém mais nomes, mais informações, mais datas e anexos complementares em relação à proposta anterior. 

No entanto, nesta terça-feira (9), vários sites de notícias apontaram que o novo documento pode ser mais um rejeitado. Segundo o portal de notícias R7, a PF e a PGR avaliaram a segunda proposta como fraca, apontando a falta de documentos e a omissão de fatos inéditos para o avanço das investigações.

O G1, por sua vez, aponta que a nova tentativa de delação do banqueiro “dificilmente será aceita”. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, o anexo complementar apresentado pela defesa na semana passada não trouxe elementos inéditos capazes de alterar a percepção dos investigadores sobre o caso. 

O G1 também informou que interlocutores de Vorcaro reclamam do que classificam como certa má vontade da PF e da PGR. Esses interlocutores do banqueiro para o G1 também afirmam que há muitos interessados em inviabilizar a delação premiada e estão trabalhando para isso.

Perguntado sobre o tema durante sua tradicional Análise Política da Terça, Rui Costa Pimenta, presidente do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à presidência da República, classificou a situação como “uma luta política dentro da alta esfera do poder político no Brasil.”

“O fato que fica claro é que, como todos os escândalos de corrupção no Brasil, isso aqui é uma luta política. Não há o justiceiro. Apesar de que nesse caso… Os justiceiros não estão sendo muito, como é que se diz, explícitos. Eles estão com uma campanha assim, meia-boca, morna. Mas fica absolutamente claro que isso aqui é uma luta política dentro da alta esfera do poder político no Brasil. Envolve o Executivo, o Legislativo e o Judiciário.”

Rui Costa Pimenta também criticou os métodos utilizados pelo Judiciário brasileiro para devidos fins, levando em consideração que o pai de Vorcaro, neste momento, se encontra preso. “É uma barbaridade. Instituiu aí a tortura como método judicial no Brasil.” Afirma Pimenta. 

“Agora, é óbvio, se essa delação incriminar pessoas do STF, outras pessoas do Legislativo ou do Executivo, a crise vai se aprofundar. Mas eu acho que a burguesia está procurando mesmo o aprofundamento da crise.” – Conclui o presidente do PCO.

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